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Neste post escrevo um pouco sobre a Avaliação, um dos temas mais controversos na Educação.
Atendendo uma sugestão de artigo através da página sugira do blog, abordarei desta vez sobre um dos temas mais polêmicos e controversos na Educação - a Avaliação escolar.

A autora da dica do artigo sugere a divulgação de experiências bem sucedidas de avaliação em matemática, que não fiquem restritas às tradicionais resoluções de problemas, com tempo pré-definido para sua resolução. Mas que também não sejam superficiais.

Antes é preciso destacar alguns termos e conceitos que, particularmente,  julgo importantes do ponto de vista do professor e do aluno. Ao final apresento algumas alternativas para avaliação que podem surtir efeitos positivos para aqueles alunos que não conseguem absorver o conteúdo de maneira convencional.

Como deve ser uma avaliação de Matemática?

O que é uma avaliação escolar?

Aqui chamarei de avaliação formativa. É aquela que tem um único objetivo: melhorar a qualidade da aprendizagem dos alunos e não quantificar a sua aprendizagem apenas com uma nota. Avaliar um aluno apenas com um número é um erro, pois nem sempre àquele que tira um 10,0 numa avaliação, tem um nível de aprendizagem maior do que aquele tem tirou um 5,0.

O papel do professor

O professor que adota uma avaliação formativa (qualitativa) está mais preparado para identificar os erros e acertos, e, desta forma, adaptar o seu ensino visando a melhoria do desempenho dos seus alunos.

O papel do aluno

Este é o mais complicado e controverso, por diversos motivos. Mas há um fator, que se for aplicado pelo próprio aluno, as mudanças são quase que instantâneas, seja para corrigir a sua aprendizagem ou para melhorá-la mais ainda. Esse fator chama-se auto-avaliação.

Feedback mútuo professor/aluno

Entender e avaliar este processo é fundamental para que o ensino e a aprendizagem sejam visíveis para o professor e o aluno. Desta forma, pesquisar formas de adequar o ensino torna-se uma tarefa menos difícil. O feedback vindo dos alunos fornece ao professor as características e evidências mais eficazes do seu ensino. É um processo que demanda muito tempo e acompanhamento dedicado. Nem todos os professores são preparados desta forma e/ou atuam assim.

Os maiores efeitos sobre a aprendizagem dos alunos ocorrem quando os professores se tornam aprendizes do seu próprio ensino e quando os alunos se tornam professores de si próprios. [desconheço o autor desta extraordinária frase]

Particularmente tenho a minha própria maneira de avaliar meus alunos, seja através de uma avaliação formativa ou através de atividades propostas em sala de aula, em casa e em campo.

Infelizmente, um professor ao ser empregado por uma escola (pública ou privada) ele é "submetido" ao Projeto Político-Pedagógico da escola, que pode ter diversas vertentes pedagógicas. A verdade é que a autonomia do professor foi reduzida, na mesma proporção que novas teorias passaram a ser adotadas.

A maioria destes PPPs contém, como artifício avaliador, uma prova escrita de caráter objetivo ou subjetivo, mas de qualquer forma "avalia" o aluno de maneira superficial.

Ideias para avaliar o aluno, sempre são postas, em teoria, afim de empregar mudanças no ensino, porém na prática, o nosso sistema falha. Enxergar alternativas para o ensino e aplicá-las sem esperar por ninguém é o que tem feito muitos professores ainda compromissados com a profissão.

Experiência bem sucedida de avaliação em Matemática

Encontrar formas para avaliar nossos alunos, sempre será um desafio constante na vida de qualquer professor. Cada professor deve descobrir qual a melhor maneira de avaliar o seu aluno, afim de extrair o melhor dele (não me refiro a notas).

Uma experiência que faz bastante sucesso com seus alunos e merece ser reconhecida como uma ótima alternativa de avaliação discente, é o projeto que a Profª. Esp. Daniela Mendes realiza através do Laboratório Sustentável de Matemática, na escola estadual que leciona no Rio de Janeiro.

Enviei algumas perguntas para a professora. Segue logo abaixo as respostas.

Você utiliza o projeto como uma das fontes de avaliação (quantitativa e/ou qualitativa)?

Utilizo o projeto como parte da avaliação qualitativa que faço ao longo de cada bimestre, pois acredito que avaliar é um processo complexo e muito particular.

Sim? Como é feita a avaliação?

A avaliação é formativa e é feita ao longo da realização de diversas atividades no bimestre, entre elas, as oficinas.

Nestas utilizo a ficha de laboratório de cada trio para colher as impressões e descobertas de cada equipe fazendo uma análise da mesma, já a avaliação individual ocorre através da exercitação em rede onde em um espaço informal posso, de fato, detectar eventuais lacunas de aprendizagem e estimular os estudantes a preenchê-las em um processo de interação todos-todos.

Também utilizamos as avaliações externas (SAERJINHO de cada bimestre) como parâmetro, pois elas nos retornam as habilidades e competências alcançadas por cada aluno permitindo uma avaliação global do mesmo.

Como professora, você prefere a avaliação tradicional ou a formativa (qualitativa), levando em conta os conhecimentos adquiridos pelas pesquisas realizadas pelos os alunos através do projeto do LSM?

É um fato que prova não prova nada, portanto, ao entendermos a avaliação como um processo e não como um fim em si mesma optamos e aplicamos em nossa metodologia a avaliação formativa.

Você utiliza a resolução de problemas situações contextualizados, integrados com o trabalho lúdico através do LSM?

Buscamos contextualizar o conhecimento, está aí outra vantagem do LSM, pois ele se utiliza de objetos e situações do dia a dia fazendo com que o aluno  “veja” que a Matemática está em tudo.

Aulas em campo

Avaliar o pensamento do aluno também é avaliar seu aprendizado. Muitas vezes este fator é percebido nas aulas em campo, seja em uma indústria, parque, na quadra de esportes da escola, etc. O projeto que destaquei logo acima, aplica bem este tipo de aula e tenho a certeza que trás muitos benefícios ao aluno, como:
  • Interesse pelas aulas aumentam;
  • Seu rendimento começa a aumentar também;
  • Suas curiosidades o provocam para a pesquisa;
  • Ele percebe que pode aprender com suas próprias pesquisas.

Entre outros benefícios naturais. Tudo irá depender da criatividade do professor em elaborar estas aulas.

Uma sugestão: que tal uma aula sobre trigonometria na quadra de esportes da escola ou pelas ruas da cidades, medindo a altura de objetos (torre da quadra, prédios, árvores) fora do nosso alcance usando um teodolito? Aprenda a como construir um teodolito artesanal e incentive seus alunos a pesquisarem e avalie através dos seus resultados.

Pesquise na internet por como construir um teodolito artesanal (com ou sem lazer) e encontrará materiais que te auxiliarão. Se bem planejado, 2 ou 3 aulas é mais do que suficiente para esta atividade, tendo o objeto de aprendizagem já construído.


Concluindo

Meu trabalho de conclusão de curso foi exatamente nesta área, da qual participei de um projeto de criação de um laboratório de Matemática que fazia uso de materiais recicláveis, para construir jogos matemáticos. O meu projeto era na área de jogos informatizados. Os resultados foram incríveis e realmente é um projeto que dá certo. Até hoje o projeto é sucesso e implementado em escolas públicas.

Aparentemente tudo pode ser fácil, bonitinho, mas infelizmente avaliar não é a tarefa das mais simples na Educação. O engessamento do sistema as vezes nos obriga a fazer o óbvio, como manda o script, afim de maquiar os resultados. Se espelhar e copiar bons exemplos é uma das saídas que temos.

Como você avalia seus alunos? Quais métodos utiliza? Compartilhe nos comentários deste post.

Imagem: www.photl.com.

Conteúdos:


Edigley Alexandre

Edigley Alexandre

Graduado em Matemática pelo DME na UERN em 2007, leciona Geometria, Matemática e Física. Blogueiro Part-Time desde 2007. Membro do Google+ Create em Português. Seu interesse é compartilhar conhecimento matemático interligado à Tecnologia da Informação e Comunicação, assim como artigos de opinião sobre Educação, Matemática e Educação Matemática.

Os comentários serão moderados pelo autor do blog. Respondo todas as segundas-feiras, terças-feiras e finais de semana.

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