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Uma avaliação qualquer não é qualificada apenas pelo nível de dificuldade, mas sim pelo alcance de conteúdos integrados. E falando de ENEM, a contextualização sempre fala mais alto.
O ENEM 2015 já acabou e agora só resta lágrimas de felicidade ou de tristeza. Mais tarde os resultados das provas comprovarão isso.

ENEM 2015: O que é fácil para você, é difícil para mim?
Nesta semana tentarei escrever uma postagem falando sobre esta questão.
Imagem: Prof. Cristiano Marcell

Você já deve ter percebido em canais no youtube ou até mesmo em telejornais na tv aberta, que o ENEM 2015 teve uma das melhores e mais difíceis provas em relação aos anos anteriores. Se foi difícil, como pode ser uma das melhores? (me perguntaram)

Uma avaliação qualquer não é qualificada apenas pelo nível de dificuldade, mas sim pelo alcance de conteúdos integrados. E falando de ENEM, a contextualização sempre fala mais alto. É verdade que algumas questões são um tanto forçadas, porém é um sistema que "avalia" e exige muitas habilidades do estudante.

Antes de continuar com o texto, me permita responder uma pergunta que recebi: Por que você não dá aulas no youtube para ENEM e vestibulares?

Primeiro, não tenho tempo suficiente para me dedicar a esta função. Segundo, já tem canal demais dando aula de Matemática no youtube. Recomendo sempre o +Matemática Rio.

O que é fácil para você, é difícil para mim?

Assisti uma reportagem onde um estudante criticou a prova do ENEM por ser muito complicada e não ter tempo hábil para resolvê-la. Logo em seguida a reportagem mostrou também um grupo de professores que se reuniram e resolveram a prova completa em mais ou menos 30 minutos.

Todo bimestre ouço:
Professor, a prova estava muito difícil! Você colocou matando heim!

Dou uma risadinha e respondo: a prova estava muito fácil, dentro do nível que trabalhamos durante todo o bimestre.

Logo em seguida ouço novamente:
Mas, você é professor! Não vale fazer essa comparação.

Dou outra risadinha e respondo: quando tinha a sua idade e cursando a mesma série/ano, eu fazia as mesmas questões e com nível igual ou superior.

Ok, mas ainda você pode dizer que é um fator muito relativo para ser analisado, pois cada aluno tem capacidades diferentes. Certo, e elas dependem de muito esforço nos estudos, e também depende muito da absorção de aprendizagem de cada aluno.

O que quero expor aqui, é que o fato de ser um professor de Matemática ou de qualquer outra disciplina, não dá a capacidade intelectual essencial para resolver questões de vestibulares (com exceção de cadeiras específicas em cursos superiores), das quais estudamos pela primeira vez. Essa capacidade é trazida desde as séries iniciais, até a conclusão do Ensino Médio.

Conheço garotos de 15 anos que fazem essa prova de Matemática do ENEM 2015 em alguns minutos e quase sem nenhum cálculo. Ser professor, não dá a qualidade de ser um guru na resolução de exercícios.

Se você não tem o hábito e prazer em estudar desde cedo, a probabilidade de você não se sair bem no ENEM e em qualquer concurso, só diminui. Eu acho muito difícil alguém fazer um cursinho pré-vestibular, sem ter uma boa base de estudos anteriores. Os que procuram um cursinho querem apenas potencializar suas habilidades e não revisar tudo novamente.

A universidade esta se tornando uma escola grande

Faculdade de Matemática não "prepara" um bom professor ou não aprimora conhecimento matemático para tanto (é um assunto polêmico). O acadêmico tem que correr atrás de seu futuro. O que "difere" um curso Superior de Matemática e o Ensino Médio (salvo suas características de instituição)? Em grande parte é o interesse em querer aprender e vencer. Não é fácil em nenhum dos dois.

Certa vez ouvi a frase de um professor universitário:
A universidade é uma escola grande.
E me parece que a maioria delas está sendo. Há pouca pesquisa, pouca verba e a formação adequada de professores está deficiente. Se sou professor hoje, é porque descobri a minha vocação e lutei muito para me formar e dar a minha pequena contribuição para a Educação. Ainda tenho muito a aprender, se esperar nada acontecerá.

Busque o que deseja e olhe somente para os bons exemplos. Foi o que fiz. Se te interessar, leia o artigo Como treinei meu cérebro para me tornar fluente em Matemática.

Acredito fervorosamente que qualquer pessoa pode ser fluente em Matemática, desde que não sofra de nenhuma patologia que impeça isso. Porém, é necessário que se tenha o mínimo de consciência intelectual para identificar suas prioridades e tenha também muita força de vontade para estudar, sem desanimar.

Conteúdos:


Edigley Alexandre

Edigley Alexandre

Graduado em Matemática pelo DME na UERN em 2007, leciona Geometria, Matemática e Física. Blogueiro Part-Time desde 2007. Membro do Google+ Create em Português. Seu interesse é compartilhar conhecimento matemático interligado à Tecnologia da Informação e Comunicação, assim como artigos de opinião sobre Educação, Matemática e Educação Matemática.

Os comentários serão moderados pelo autor do blog. Respondo todas as segundas-feiras, terças-feiras e finais de semana.

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2 comentários:

  1. Bom dia Edigley,

    Fui DOIS anos chefe de sala no ENEM. E neste de 2015, fui candidato. Neste 3 anos minha conclusão sobre a aplicação do ENEM não mudou. 90 questões por dia em 4,5 horas e uma redação no ultimo dia. Prova de Mat. com 45 questoes ... Isso é um ESTUPRO intelectual. Enfrentar o ENEM é demanda de guerra contra este terrorismo. Mas, ratifico que quanto a APLICAÇÃO o ENEM deveria ser revisto.

    Pessoalmente, fiz o ENEM por conta de busca de satisfazer requerimentos para bolsa cientifica. Nunca fiz o ENEM anteriormente, pois nunca precisei fazendo os antigos vestibulares. Fazendo graduação e já tendo passado tanto tempo de minha graduação de 2º grau não estava nada preparado para o exame, mas sem dúvida foi excruciante.

    Vi seu post sobre falar sobre o ENEM, resolvi então desabafar um pouco.

    Grande abraço

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    1. Olá, Helom! Te entendo.

      Não sei se o sistema de aplicação é bom ou as escolas não estão preparadas para este tipo de sistema, mesmo consolidado há alguns anos. De uma coisa tenho a certeza, o modelo de ensino está errado. Se devemos preparar os alunos para o ENEM, isso está sendo feito de forma equivocada.

      Três anos no Ensino Médio, apenas resolvendo problemas que supostamente cairão na prova é realmente uma tortura. Preparar os alunos do Ensino Fundamental com diversas metodologias para melhorar a aprendizagem, e, no final das contas, usar o conhecimento obtido para resolver questões matemáticas, é um desperdício intelectual.

      Um abraço!

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