Acredito que não podemos apenas depender de alternativas. Mesmo que elas sejam ótimas e tragam um efeito maravilhoso para o ensino, é praticamente impossível aliar com a prática conteudista exigida pelo currículo atual. Tais práticas alternativas de ensino, merecem ser ampliadas e implementadas em um novo currículo nacional.
Segundo estatísticas recentes, uma em cada cinco crianças no Brasil não sabe ler aos oito anos e um levantamento em 25 cidades do país mostra que 75% não sabem médias simples e 63% não resolvem porcentuais. E a tendência é continuar assim.

Como professor de Matemática preocupado e vivenciando a alarmante situação em que estamos, não vejo outra saída, para pelos menos tentar um início evolutivo do ensino no Brasil; a não ser uma reformulação completa na grade curricular.

Acredito que não podemos apenas depender de alternativas. Mesmo que elas sejam ótimas e tragam um efeito maravilhoso para o ensino, é praticamente impossível aliar com a prática conteudista exigida pelo currículo atual. Tais práticas alternativas de ensino, merecem ser ampliadas e implementadas em um novo currículo nacional.

O que falta para o Brasil implementar um novo currículo de ensino? [PodCast]

Por que isso é tão difícil? Sinceramente não sei. Só sei que tem corrupção por trás de tudo isso. E enquanto houver corrupção neste país, a Educação continuará gritando e sofrendo.

Acompanhe a enquete que criei no Google+.

O que me fez escrever esta postagem, foi a conversa que ouvi entre Ilona Becskeházy (CBN) e Paula Louzano (pesquisadora em Stanford, Califórnia) através do programa Missão Aluno da rádio CBN. Segue o áudio logo abaixo.


Áudio original

Ouviu tudo? Eu sou a favor de um ensino de Matemática com estes conceitos.

Common Core, novo currículo dos EUA, propõe mudanças não apenas na maneira de ensinar e aprender a matéria, mas também nos conceitos e o momento em que eles são apresentados às crianças. É interessante o foco a alguns pontos-chave da Matemática.

Já é complexo entender o nosso sistema de ensino, imagine entender como funciona em outros países. O debate e a preocupação com o ensino, pode levar à mudanças. Se elas serão boas ou não, só saberemos se colocar em prática (depois de muitos debates e consenso) e esperar os frutos a médio e longo prazo.

Pesquisei e li algumas páginas sobre o Common Core (mais para Matemática), e percebi que são ideias muitos boas, e que, aliás, conhecemos bem em teoria, porém implementá-las em toda a rede pública é outra história.

Toda a norma para a prática da Matemática e a estrutura educacional adotada pela Common Core, está disponível no endereço www.corestandards.org/Math. É realmente muito completa e organizada. A forma como os conteúdos devem ser orientados pelo professor e o estudante participa do processo, é muito animador.

Porém, sempre existem os do contra. Encontrei várias cartas aberta e petições em blogs e sites americanos que são contra esse projeto educacional (esse debate é antigo). A maioria dessas cartas, são defendidas por escolas públicas, católicas e privadas. Cada uma alega contradições com esse novo projeto.

Na década de 1990, as discussões sobre ensino da matemática nas escolas foram atormentadas por uma "guerra" em que dois grupos polarizados discordaram sobre como ensino da Matemática deve incluir e como a Matemática deve ser ensinada. De um lado, alguns argumentaram que devemos continuar a ensinar com atenção para a fluência dos alunos com fatos e algoritmos a fim de utilizar procedimentos com eficiência. No extremo oposto, outros defendem que os alunos necessitam desenvolver sua compreensão de ideias matemáticas para que eles possam usar conceitos com significado. [Leia mais em www.newsobserver.com]

este congressista defende o projeto sobre outras perspectivas. Já este blog levanta uma lista de fatores negativos sobre o projeto em Nova Iorque. Há dezenas ou centenas de textos sobre o Common Core, apontado suas qualidades e defeitos.

O ato de debater e procurar uma solução (ou um princípio) para a Educação no Brasil, geralmente, gira em torno de aumentar salários, piso, benefícios previdenciários, etc. Não estou dizendo que isso é uma causa perdida e que não devemos lutar por isso. No entanto, estamos esquecendo de outros fatores que pode alavancar o ensino de Matemática e outras disciplinas para um ensino realmente de qualidade e significativo.

E o novo currículo no Brasil?

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é o documento que detalha o que precisa ser ensinados em Matemática, Linguagens e Ciências da Natureza e Humanas nas escolas do país. Li todo o material relativo à Matemática e percebi, em parte, que se assemelha ao Common Core, pelo menos do ponto de vista estrutural.


Acesse basenacionalcomum.mec.gov.br e conheça todas as propostas nacionais e regionais. Faça download da BNCC dos textos introdutórios apresentados em cada nível: Linguagens, Matemática, Ciência da Natureza e Ciências Humanas.

Assista esta apresentação.



Na teoria é tudo muito bonito. Com tanta corrupção, acho que é impossível alcançar um ensino satisfatório, garantido na constituição. Enquanto isso, fazemos o nosso melhor. É um trabalho de formiguinha, porém, importante.

Edward Frenkel, um dos maiores matemáticos da atualidade, lamenta que as escolas continuem a ensinar a disciplina como...
Posted by Blog do Prof. Edigley Alexandre on Terça, 15 de dezembro de 2015

House of Cards e Educação

Assistindo e lendo este material (BNCC), me lembrei da série House of Cards, exibida na NETFLIX, e que comecei assistir recentemente. Ela mostra os bastidores da Política dentro da Casa Branca, e como a ganância pelo poder sobem à mente, em busca de seus próprios objetivos.

Os primeiros episódios gira em torno de uma "briga política" pelo cargo de Secretário de Estado, e, que mais tarde, entra no contexto de uma Reforma na Educação. Como esta reforma é criada e encaminhada pelo político Frank Underwood (personagem de Kevin Spacey) e os que são leais a ele, é de arrepiar qualquer um.

A série é sucesso por diversos fatores, um deles por se assemelhar em muito com a nossa realidade. Seja nos EUA, no Brasil ou no mundo.

Leia 4 motivos para você começar a assistir House of Cards (contém spoiler em vídeos).

Estatísticas: Folha | Estadão.

Edigley Alexandre

Edigley Alexandre

Graduado em Matemática pelo DME na UERN em 2007, leciona Geometria, Matemática e Física. Blogueiro Part-Time desde 2007. Membro do Google+ Create em Português. Seu interesse é compartilhar conhecimento matemático interligado à Tecnologia da Informação e Comunicação, assim como artigos de opinião sobre Educação, Matemática e Educação Matemática.

Os comentários serão moderados pelo autor do blog. Respondo todas as segundas-feiras, terças-feiras e finais de semana.

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2 comentários:

  1. Sabemos que toda mudança gera resistência. Parece ser algo comum em toda e qualquer sociedade. Mas ela quando bem avaliada, me refiro ao currículo de matemática, por educadores sérios é sempre bem vinda. Quando essas mudanças passam por amplos debates e suas diretrizes são implementadas, acredito que a relevância é significativa.
    Já passamos da hora de iniciarmos mudanças. Prova disso são as diversas avaliações pelas quais temos notícias. Nosso país apresenta índices decepcionantes quanto ao aproveitamento nessa matéria, e digo somente nessa sem levar em conta as demais disciplinas.
    Estamos tratando de um assunto específico que é a matemática mas devemos ter uma visão mais ampla no que tange ao ensino como um todo. Quando tivermos um corpo político que tenha como missão o desenvolvimento do pais e a melhora na qualidade de vida de sua população muitos dos problemas pelo qual sofremos hoje não existirá mais e poderemos alcançar o grau de país desenvolvido.
    Ouvi a entrevista sobre o Common Core e percebo a importância que os Estados Unidos estão dando sobre o ensino da matemática, afinal eles sabem que para continuarem na vanguarda em vários campos do desenvolvimento tecnológico precisam dedicar grande importância a esse tema.

    Um forte abraço e obrigado pelas informações disponíveis no blog.

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    1. Olá, Cosmonauta! Seu comentário é muito relevante.

      Sobre o interesse dos nossos representantes no congresso nacional, por uma Educação de qualidade, é um fator que tento acreditar, e que um dia se unirão para esse bem comum. Não sou pessimista, mas, é difícil acreditar, quando vejo tão claramente, eles pensarem primeiro em seus próprios interesses.

      Fiz questão de citar a série da NETFLIX, House of Cards, pois a cada dia que assisto novos episódios, eu fico imaginando como é aqui no Brasil (tem dúvida?). O jogo de interesses e poder sempre fala mais alto, mesmo que os interesses girem em torno de fatores ligados a população. A política suja e descarada sempre atrapalhará o crescimento do país.

      Controlar um país continental é complexo demais. Exige a união de todos e não a separação de ideais e propósitos diferentes, muitas vezes, ilícitos. 29 partidos políticos não é um avanço na democracia. Ter o direito de voto não significa saber votar.

      A Educação não chega para todos, logo a informação não chega a todos. Um povo sem informação é refém de leis que só beneficiam grandes empresas privadas e estatais.

      Investimento em Eucação deveria ser a prioridade número 1 sempre. E o primeiro passo é uma reforma geral.

      Um abraço!

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