Por que Matemática é mais importante do que Artes?
Estava assistindo um vídeo no youtube e um trecho dele me inspirou a escrever este post. Algumas perguntas são lançadas pelo autor do vídeo e uma delas me tocou: Por que Matemática é mais importante do que Artes?

Não vou entrar na discussão da pergunta, comparando duas disciplinas aparentemente tão distintas, mas que tem muito em comum. Mas sim no porque de a Matemática ser tão menosprezada pelos estudantes de escolas públicas ou privadas no Brasil e creio eu no mundo todo.

Recentemente li alguns artigos em blogs/sites americanos que o número de estudantes que procuram cursos superiores de Matemática, vem caindo consideravelmente e isso vem assustando educadores norte-americanos. Que a grade curricular de Matematica não é mais satisfatória e que precisa urgentemente de uma reformulação no Ensino de Matemática nas escolas secundárias americanas.

Por que odeio Matemática?


Problemas na Educação não é só coisa de países subdesenvolvidos. Tenho lido ultimamente muitos jornais estrangeiros que discutem como o ensino-aprendizagem em alguns países, vem dando maus resultados nos maiores testes de avaliação internacional sobre, em específico, a Educação Matemática. [Ver post Ensino de Matemática com o contexto e aplicações]

Também não vou entrar na discussão educacional de outro país. Até porque temos problemas muito mais graves do que os de lá. O que quero é externar o meu modo de ver quanto a amargura das pessoas quando falam em Matemática. Alunos e ex-alunos falam livremente para mim: - Professor, eu adoro suas aulas, você é legal, elas passam rapidamente, mas eu não gosto de Matemática. E uma dúvida gigante fica cravada na minha cabeça.

Medo da Matemática transmitido por adultos e falta de interesse da família agravam péssimas taxas de aprendizagem da disciplina... [Ver post Medo da Matemática afeta aprendizagem de alunos]

O mais "engraçado" é que a maioria das pessoas que ouço falarem assim, não tem graves dificuldades em Matemática. São estudantes que estão na média escolar ou acima dela. O que acontece com essa classe de estudantes que mesmo se saindo bem em centenas de teorias matemáticas, ainda dizem odiarem a Matemática?

Tenho algumas ideias, citarei uma  para não alongar esse texto.

A Matemática deveria ser ensinada, assim como acontece com a Física (na maioria das vezes), ou seja, em um laboratório de experimentos, onde fosse possível mostrar como a Matemática é aplicada e útil em nossas vidas. Já imaginou uma aula sobre equação do 2º grau, construindo uma antena parabólica no laboratório? Seria uma aula atrativa, dinâmica e com retorno de aprendizagem garantido. Claro que isso não depende apenas do querer de um professor, mas de toda esfera educacional.

Trazer a Matemática para as aplicações do nosso dia a dia é a maneira que vejo de aproximar o aluno pelo gosto em aprender Matemática. Caso contrário, imagens como logo abaixo, sempre vai arrancar uma risadinha e isso não é bom.

Pode ser uma ideia utópica para muitos, mas é assim que eu vejo um futuro melhor para as aulas de Matemática. Uma restruturação na grade de conteúdos, que afetam as disciplinas mais interligadas é uma saída. Claro que não se resolve isso da noite para o dia. Uma ideia apenas não é suficiente.

Se a meta é fazer com que a produção de ciência e tecnologia acompanhe o crescimento econômico do Brasil, essa intolerância à Matemática precisa ser combatida com urgência, dizem os especialistas.

E a mudança precisa começar na sala aula. Mas não naquela que as crianças frequentam. A reforma deve ocorrer, primeiramente, nas classes das universidades que formam os futuros professores do país.

Para encerrar mais uma citação.
Com o objetivo de conquistar os jovens - e evitar calafrios cada vez que for necessário fazer um cálculo -, professores têm buscado maneiras diferentes de trabalhar o conteúdo. O segredo, dizem, está na abordagem: nada de decorar fórmulas. É preciso compreender aquilo que está na lousa. Melhor ainda se, depois da tradicional explicação, for possível transformar a teoria em prática. [Alunos aprendem em aulas práticas e exatas deixam de ser vilãs]

Conteúdos:


Edigley Alexandre

Edigley Alexandre

Graduado em Matemática pelo DME na UERN em 2007, leciona Geometria, Matemática e Física. Blogueiro Part-Time desde 2007. Membro do Google+ Create em Português. Seu interesse é compartilhar conhecimento matemático interligado à Tecnologia da Informação e Comunicação, assim como artigos de opinião sobre Educação, Matemática e Educação Matemática.

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4 comentários:

  1. Não consigo gostar de matematica... Eu estudo pra prova e tiro 3, é isso q me faz desistir de estudar.

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    1. Olá, Shiro!

      No seu caso também pode depender da forma como você estuda. Talvez o modelo de estudo que você acha correto, não é o correto. Converse com o seu professor de Matemática, peça dicas a ele. Com certeza ele vai te ajudar, pois somente ele vê os esforços todos os dias em sala de aula.

      Um abraço!

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  2. Estimado professor, Desde meu humilde ponto de vista o problema das matemáticas têm varias causas que podemos agrupar em quatro vertentes: 1) A aplicabilidade dos conceitos 2) A Metodologia de Ensino 3) A forma como se verifica o conteudo aprendido 4) A interação emocional de ambas partes. Você falou somente da primeira parte, mais foi omisso em relação aos demais. A metodologia de ensino está ultrapassada, ela fica mais proxima dos seculos XVIII e XIX que do seculo XXI e precisa de reforma e isso é alguns passos além de usar um computador para ensinar. A forma de verificar o conteúdo aprendido é, além de propositalmente intimidatória, focada em provar que o aluno não sabe, cheia de pegadinhas e por vezes focando em conteudos que não foram ensinados. A interação emocional (na minha experiencia) é que quem ensina matemática se sente muito a vontade com os numeros (que não têm vida), esas pessoas tem pouca (se alguma) inteligencia emocional para tratar com os alunos e não raro não sabem (nem querem) se comunicar com eles. Normalmente, quem ensina matematica não têm a capacidade de indentificar onde está o problema e o por qué, reduzindo estas complexidades a diagnosticos simplistas onde a culpa é do aluno. Acho que cabe uma reflexão para o Sr com base nestas quarto diretizes e nelas achará as causas dos transtornos.

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    1. Gabriel,

      Obrigado pelo comentário.

      Certamente minha reflexão sobre o tema tratado nesse post de 2012 foi tratada de forma superficial. Os problemas na Educação brasileira são complexos demais. Estudos e mais estudos apontam uma solução, mas até hoje não vimos os resultados desse debate na prática.

      Um abraço!

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