Será que a motivação para estudar Matemática, vem do nível de quociente de inteligência de um estudante? Ou, se um aluno consegue entender cálculos matemáticos, consequentemente ele se motivará mais, pelo fato de ter habilidades com os números?
Será que a motivação para estudar Matemática, vem do nível de quociente de inteligência de um estudante? Ou, se um aluno consegue entender cálculos matemáticos, consequentemente ele se motivará mais, pelo fato de ter habilidades com os números?

Ainda não me acostumei (felizmente) em ouvir e ler, principalmente na internet, aquelas famosas tirinhas de humor, ridicularizando situações em que as pessoas não conseguem aprender Matemática e ainda destorcem a realidade dizendo que a Matemática não serve para nada. No artigo Por que as pessoas tem orgulho na sua falta de habilidade Matemática?, escrevi um texto/desabafo sobre este tipo de situação.

Hoje, quando chego em casa, e atualizo o meu feed de notícias no Facebook, me deparo com a seguinte imagem (link para o Facebook). Resolvi linkar em vez de mostrá-la aqui. Não quero reproduzir esse tipo de brincadeira que me deixa meio desanimado. Desanimado, não em ver a quantidade de "curtidas" e "compartilhamentos" que a imagem tem, mas em perceber quem é o real influenciador deste tipo de comportamento que é comum em escolas e que acabou se espalhando em blogs e redes sociais.

Nesta imagem, deixei os links de 20 artigos que já escrevi e mostram a aplicação da Matemática em diversas situações.

Quem influencia esse tipo de comportamento puramente ignorante?

Claro, os professores de Matemática. Sim, aqueles que dão aulas de qualquer forma, sem o mínimo de preparo, interesse e dedicação à sua profissão. Quem influencia é aquele professor que está mais preocupado com o final de semana para se divertir, em vez de saber se os seus alunos estão aprendendo aquilo que ensina. Tem outra justificativa?

Acredito que existem pessoas que tem dificuldade com esta disciplina, por vários motivos (psicológicos ou até mesmo por fatores patológicos). Porém, grande parte dos estudantes simplesmente ignoram o fato de não conseguir aprender Matemática e acabam distorcendo sua própria realidade como se não fosse necessária.

Pare de reclamar que não aprende Matemática

Neste artigo dou um outro ponto de vista diferente do habitual, analisando como um estudante deveria interagir com o seu professor.

Muito se discute que a qualidade do Ensino de Matemática se deve, em maior parte, as metodologias que os professores adotam para conseguir extrair o máximo de interesse, empenho e aprendizado dos alunos. Se tais metologias falharem, algo está errado e os olhos se voltam para o professor como fonte do problema.

Mas, você como estudante, extrai o máximo que o seu professor pode oferecer? Você discorda ideias com ele? Você aceita tudo que o professor transmite? Você o questiona? E, se porventura ele estiver ensinando algum cálculo errado, como saberá? Continuará a "aprender" de maneira errada?

Nem sempre o fato de um aluno não conseguir dominar cálculos matemáticos, pode ser justificado pela possível deficiência de alguns professores em sala de aula. Muitas vezes, o estudante já trás o preconceito para disciplina, e, levando isso adiante, se fechará de tal forma que nada pode mudar o seu pensamento retrógrado.

Parece que estou entrando em contradição com aquilo que escrevi no início deste texto, mas não estou. Pense um pouco. Existem diversas formas de "aprender Matemática". Aprender através de continhas e fórmulas jogadas no quadro ou analisar essas fórmulas e aplicá-las em situações interessantes, que possam despertar o gosto pela disciplina.

Observe a situação a seguir (que pode ser real).

O que normalmente o professor faz

O professor está dando aula (expositiva teórica) explicando como resolver equações. Toda turma está atenta, ouvindo o que professor ministra calmamente. A aula termina, o professor pergunta aos seus alunos se tem algum questionamento sobre o conteúdo. Não havendo perguntas ele escreve algumas equações como exercícios e todos os alunos copiam. Assim acontece mais uma aula.

Como o aluno deveria agir

Imaginando a mesma situação anterior, ao final da explicação, um aluno inconformado por não conseguir entender, pergunta ao professor: Por que o senhor "passa" as letras e os números para o outro membro da equação, mudando os sinais? Por que a incógnita (termo desconhecido ou letra na equação) sempre deve ficar no primeiro membro da equação? Por que não, no segundo membro?

O professor pensa um pouco e dá uma resposta qualquer sem dar a mínima importância, deixando o aluno confuso. Claro, o professor peca quando age assim. Mas nem todos os professores de Matemática são medíocres. Existem os professores compromissados e preocupados com o seu alunado. E ambos devem ser questionados pelos próprios alunos afim de construir uma relação bilateral satisfatória, onde os dois lados poderão obter sucesso.

Pare de reclamar que não aprende Matemática, extraia do seu professor o máximo que ele pode te dar. Não aceite o seu professor como ele é, questione-o, debata ideias. Ele não é o detentor de todo o conhecimento matemático. Um professor não é transmissor de conhecimento, ele é um orientador em busca do conhecimento.

O que noto pelas minhas experiências e pela observação de outros colegas que já desistiram do magistério, é que muitos não estão preparados para uma relação bilateral em prol do ensino. Muitos não aceitam serem questionados, e, infelizmente muitos também se colocam como os detentores da verdade e nenhum aluno pode confrontá-lo.

O primeiro desafio de um professor de Matemática, é deixar o aluno a vontade para que ele pergunte: professor, explique novamente, eu não entendi.

Um mal professor gera péssimas consequências

O aluno que não aprende o suficiente, pode fazer um mal julgamento da disciplina, odiando a Matemática durante toda sua vida escolar, estendendo até a faculdade que irá cursar. Fiz uma pesquisa de boca em boca. Perguntei para alguns colegas de outras disciplinas que não tem cálculo, o por quê de eles escolherem a atual profissão (professores de Português, Geografia, História, etc.). A resposta é a mais óbvia — nunca fui bom em Matemática.

Olhando desse ponto de vista, chego até a entender o aluno, visto que o professor é o grande influenciador direto de sua vida estudantil, e que possivelmente levará para a carreira que escolher.

Grande parte das deficiências matemáticas de um aluno, deve-se a sua própria ignorância intelectual (não sabe fazer a relação Aplicação Matemática x Realidade), mediante a vários fatores como: desinteresse em estudar e por consequência pela disciplina, maturidade insuficiente para tomar decisões em prol de si mesmo, etc. Estes são alguns fatores do ponto de vista de um aluno dotado de capacidades intelectuais dentro da normalidade (aquele aluno que tem tudo para dar certo, mas sua imaturidade o desvia).

Para encerrar este texto, compartilho o comentário do professor de História, Jefferson R., feito no artigo 5 dicas para as aulas de Matemática divulgado no LinkedIn.

Todos os contatos na escola são espaços de negação. Nossas habilidades acabam sendo desenvolvidas pelo que não somos capazes. Lembro-me que desejava saber quem era Bháskara, seus contextos de criação e a utilidade do cálculo. Não uma realização automatizada. A resposta foi tão simples e desalentadora: "não precisa saber, faz a conta." Nessa situação já estava definida minha carreira, ou seja, indo em direção para humanas. Buscar um entendimento amplo sobre a natureza do cálculo insere-se conceitos de modo a perceber situações práticas. Os colegas que possuíam a facilidade para o raciocínio matemático tinham uma maneira pragmática e atenciosa diante do construir a coisas. No colegial (ensino médio), a estratégia que fez perceber em um "insight", a função de x foi uma charge com a seguinte frase "mulher por no gráfica", essa cacofonia aliada a imagem despertou um interesse maior. Junto a essa situação pude compreender melhor a trigonometria e o "xis" da questão. Investigar, constituir aulas que trabalham não fórmulas, mas estruturas mais amplas sem detalhes excessivos e passagens longas que por vezes levam ao denominador comum, ou seja, zero de atenção. Trabalhar o sentido prático criando empatia com o número que está em todas as coisas, pessoas e acontecimentos. As frases matemáticas podem ser interessantes, quando constroem um texto geometricamente inserido no olhar transformando o mundo nos quatro eixos x,y,z e w podendo escrever com a beleza suave e intensa dos resultados calculados pela vontade de colocar entre dois pontos um infinito de possibilidades.

Conteúdos:


Edigley Alexandre

Edigley Alexandre

Graduado em Matemática pelo DME na UERN em 2007, leciona Geometria, Matemática e Física. Blogueiro Part-Time desde 2007. Membro do Google+ Create em Português. Seu interesse é compartilhar conhecimento matemático interligado à Tecnologia da Informação e Comunicação, assim como artigos de opinião sobre Educação, Matemática e Educação Matemática.

Os comentários serão moderados pelo autor do blog. Respondo todas as segundas-feiras, terças-feiras e finais de semana.

É muito bom ler comentários, porém atente para algumas regras muito importantes antes de enviar a sua colaboração para este artigo.


Comente este artigo:

0 comentários: