A Matemática precisa ser interessante e aplicável para deixar de ser odiada por estudantes?
É sempre bom abrir nossos pensamentos para perspectivas, que até mesmo conhecemos, mas demoramos para entendê-las ou enxergar por um lado que dói mais. Não sei o que estava fazendo na internet que não tinha lido um texto tão claro e que revela situações que pensávamos que sabíamos.

É o tipo de pensamento matemático que todo professor de Matemática que leva sua carreira a sério tem ou deveria ter, salvo as suas discordâncias. Particularmente discordo de alguns pontos, porém ínfimos em relação a outros não menos complexos. Ele reflete, em síntese, meu pensamento sobre o ensino de Matemática nas escolas, tanto no ensino público quanto no privado (com suas devidas comparações entre os países).

Estou me referindo ao texto A Mathematician’s Lament (O Lamento de um Matemático), publicado por Paul Lockhart em 2002, e que em 2009 transformou "seus lamentos" em um livro.

Ninguém precisa tornar a Matemática interessante (O lamento de um matemático)

A tradução livre mais recente foi lançada pelo site Imaginário Puro e traz o texto completo em Português do Brasil.

Todo mundo sabe que algo está errado. Os políticos dizem: “Precisamos de diretrizes mais elevadas.” As escolas dizem: “Precisamos de mais dinheiro e equipamentos.” Pedagogos dizem uma coisa, e professores, outra. Estão todos errados. As únicas pessoas que entendem o que está acontecendo são as que levam a culpa e que nunca são ouvidas: os alunos. Eles dizem: “As aulas de matemática são estúpidas e chatas.” Na mosca!

Ser autocrítico talvez é uma qualidade dos melhores professores. E isso não significa que todas as aulas dos melhores professores são sempre as melhores aulas. Os melhores professores não conseguem sempre dar a sua melhor aula todos os dias.

Não sou o melhor professor que gostaria que fosse, também não sou o professor medíocre que está em sala de aula apenas porque gosta. Mas, às vezes, bate um desânimo tão grande que o primeiro pensamento é de acabar com a carreira de ser professor. Os motivos não são os de sempre.

Por que? A citação abaixo ajuda a responder.

A parte mais triste das reformas didáticas são as tentativas de tornar a matemática interessante e de torná-la relevante na vida das crianças. Ninguém precisa tornar a matemática interessante — ela já é mais interessante do que podemos suportar! E sua glória é sua completa irrelevância na vida cotidiana. É por isso que é tão divertida!

Estou mudando a minha forma de pensar quanto ao ensino de Matemática. Não é de hoje. E quem sabe mais tarde um novo profissional surgirá.

O desafio de "ensinar Matemática" no Brasil é tão grande, que até agora não vimos nenhuma reforma concreta que realmente traga um novo rumo para as aulas de Matemática e de outras disciplinas.

Está em curso no Brasil uma reforma do currículo. Entenda mais lendo o artigo O que falta para o Brasil implementar um novo currículo de ensino? [PodCast]. Nos EUA (ouça o podcast) uma das saídas está em investir no modelo de "temos que mostrar para que ela serve", "precisamos de programadores", etc.

Depois de ler o texto O Lamento de um Matemático fico imaginando se uma reforma será a salvação.

Abaixo estão os links para você ler o texto. Já aviso que é um texto muito longo. Só leia quando tiver um tempo livre.

Versão em Inglês

Versão em Português do Brasil

A Matemática precisa ser interessante e aplicável para deixar de ser odiada por alunos?

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Edigley Alexandre

Edigley Alexandre

Graduado em Matemática pelo DME na UERN em 2007, leciona Geometria, Matemática e Física. Blogueiro Part-Time desde 2007. Membro do Google+ Create em Português. Seu interesse é compartilhar conhecimento matemático interligado à Tecnologia da Informação e Comunicação, assim como artigos de opinião sobre Educação, Matemática e Educação Matemática.

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1 comentários:

  1. Acredito que se eu pensar como alguém que entende matemática como vou saber o que fará o aluno gostar de matemática?
    Pergunte ao aluno e ele dirá como fazer essa ponte entre o professor que quer ensinar e o aluno que quer aprender.
    Acredito em flexibilidade pq quem já tem habilidade numérica com fórmulas aprenderá normalmente mesmo que mude o método.mas quem tem dificuldade no início talvez precise de um método mais atraente.
    Se eu gosto de dar aulas quero que tds gostem e vou buscar meios pra isso.

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