Compartilhe esse artigo:


Se dependesse dessa primeira experiência que tive e a tomasse como um modelo, hoje não seria professor de Matemática.
Em 2004 tive a minha primeira experiência em sala de aula. Quase concluindo o curso de Licenciatura em Matemática, resolvi inscrever-se para uma seleção de professores bolsistas. A bolsa ofertada pela Secretaria de Educação dá a oportunidade de lecionar em escolas públicas quando a quantidade de professores formados atuantes não é suficiente (mentira).

Só decidi por essa atitude pois estava cursando as disciplinas do estágio supervisionado, e, quase terminando o curso, teria mais tempo para me preparar. Depois dessa primeira experiência é que senti o real desafio do ensino no Brasil. Falta de estrutura, professores ensinando disciplinas sem a formação para ela, má gestão de recursos, alunos indisciplinados, professores indisciplinados brigando em reuniões, etc.

Se dependesse dessa primeira experiência que tive e a tomasse como um modelo, hoje não seria professor de Matemática.

Dia do Professor: a esperança é a primeira que morre

26 de fevereiro de 2004

Aos gritos e muita bagunça me aproximo da sala que daria aula pela primeira vez na minha vida. O motivo da revolta é que os alunos estavam insatisfeitos com a saída do professor anterior e chegada de um novo professor. Os alunos trancaram o portão principal que dá acesso ao bloco de salas e a manifestação pacífica (ainda bem) tomou conta do bloco. Os gritos "queremos o professor fulano!" se repetiam e se repetiam (risos).

Depois da ordem estabelecida volta tudo ao normal.

Entrei, acalmei a turma e assim começamos o ano letivo. Planejei uma ótima aula, que não durou nem 15 minutos. Uma chuva torrencial inicia e alaga toda a sala. Janelas quebradas permitiam a entrada de muita água e ventania, telhado danificado com goteiras (leia-se: cascatas) só pioraram tudo. Até o quadro foi danificado, impossibilitando a continuação da aula. Nesse dia todos os alunos da escola foram dispensados para casa. E adeus planejamento do dia.

Minha empolgação foi trocada pela ausência de esperança. Sinceramente não imaginei que passaria por tal situação. Um estudante de 22 anos de idade querendo dar a sua contribuição para uma Educação melhor, cheio de planos, vocacionado, alegre, empolgado... Talvez a minha ingenuidade me fez pensar assim.

Cumpri meu contrato de 4 meses e decidi desistir da Educação. Até tomar essa decisão passei por situações que nunca pensei imaginar.

Meados de junho de 2005

Nessa época tive uma das melhores experiências da minha vida como professor. Foi a oportunidade de tirar uma licença maternidade de uma colega, trabalhando como professor substituto por 6 meses na escola onde estudei 10 anos, da 1ª série a 8ª série. 10 anos? A conta não está errada? É que fui reprovado 2 vezes. Se quiser conhecer mais detalhes dessa história leia o artigo Como treinei meu cérebro para me tornar fluente em Matemática (mais de 27 mil acessos).

Numa escola mais estruturada e com uma gestão escolar mais eficiente, comecei de fato a lecionar Matemática para turmas do Ensino Fundamental 2. Os problemas que enfrentei são os mesmos de hoje, mas com um pouco de esforço foi possível fazer um bom trabalho.

A parte mais emocionante é que convivi com alguns ex-professores da minha época de aluno, como os professores de: Matemática, Português, Inglês, entre outros. Experiências compartilhadas ajudaram-me a crescer como professor.

A parte que mais gosto de recordar foi no dia em que levei as minhas provas de algumas matérias, para mostrar aos ex-professores durante o intervalo. Algumas notas 'mais ou menos', outras boas, outras ótimas. Foi uma tarde de boas gargalhadas.

Me perguntaram: por que você guarda as provas? Tenho arquivado todos os meus materiais desde a 5ª série até o término da faculdade. Testes, provas, trabalhos, apostilhas, etc. Não sei porque guardo, apenas gosto, é prazeroso pra mim. Certa vez levei alguns materiais para mostrar aos meus alunos e contar uma história motivacional. Funcionou (risos).

15 de outubro de 2017

A contar da primeira experiência, sou professor há 13 anos.

Costumo dizer em relação a minha carreira de professor: não me vejo fazendo outra coisa. Tem dias que bate um desânimo ou uma fraqueza que me faz pensar em desistir. Os motivos para isso não é baixa remuneração, desinteresse de alunos, pais displicentes, etc. O real motivo é quando penso sobre o rumo que nosso país está caminhando.

Já ameacei a minha esperança de morte algumas vezes. Mas, é incrível, sempre que sinto isso, algo bom no mesmo dia acontece e acaba renovando a minha esperança de uma educação melhor. Minha vocação para o ensino foi tardia, mas o suficiente para que eu me apaixonasse.

Logo abaixo separei algumas sugestões de leitura no blog para comemorar essa data.

Quem quer ser professor hoje em dia no Brasil? E de Matemática?

Poucos, não é mesmo? Talvez você aponte razões questionáveis como a baixa remuneração, autonomia em queda, pouco valorizado pela sociedade e etc., para quem não quer seguir uma carreira na licenciatura, seja lá qual for a disciplina que lecionará. Mesmo que as estatísticas mostrem o contrário, está cada vez mais difícil encontrar professores de Matemática realmente compromissados com a profissão.

Acesse o artigo 7 razões para você nunca querer ser um professor de Matemática e leia o texto completo.

O que faria você desistir de ser um professor?

Se você está lendo este texto, por algum motivo você pensa em querer ser um professor ou que é um professor, e, não necessariamente, está pensando em desistir da licenciatura. Não entrarei nesta discussão, porém com o passar dos anos, aquele ânimo pode ir embora e surge logo o pensamento de querer desistir de ser um professor. É normal.

A profissão de professor está ficando tão saturada que talvez você não precisará destes 3 motivos, que lerá logo mais, e que podem transformar o seu desânimo em um desistência definitiva. Estes motivos dependem de seu caráter pessoal e da sua qualidade como professor de qualquer disciplina. Darei ênfase a Matemática, obviamente porque sou professor de Matemática e o blog trata deste tema.

Acesse o artigo O que faria você desistir de ser um professor? e leia o texto na íntegra. Não deixe de responder.

Essa carta reflete meu pensamento sobre a atividade de ser um professor comprometido

A professora Jane Clarkson, de uma escola infantil do Reino Unido, teve uma atitude muito especial ao comunicar as notas baixas do seu aluno autista de 11 anos, Ben Twist. Ler carta.

Orgulho de ser professor [Áudio]

Professores Apaixonados escrito por Gabriel Perissé. Ouvir agora.


Para finalizar, deixo uma última recomendação de leitura dentro do blog.

10 coisas que não podem faltar para um recém licenciado em Matemática

Acabou de concluir o curso de Licenciatura em Matemática? Descobriu realmente a sua vocação para o ensino? Pretende ansiosamente ser um professor efetivo de Matemática, independente da instituição que irá lecionar?

Se a sua resposta for sim, escrevi esta postagem para te ajudar com algumas simples orientações. Se a sua resposta for não, pode fechar essa aba (não faça isso!). Compartilhe esta postagem para algum amigo (a). Teoricamente estas orientações deveriam ser recebidas durante o curso superior, mas, infelizmente nem todo curso atenta fielmente para isso. Entenda este texto como um complemento.

Destaquei algumas orientações importantes que abrangem desde softwares educacionais aplicáveis em aulas até projetos online. São dicas simples que podem fazer uma grande diferença na sua carreira, agilizando suas tarefas docentes e deixando mais tempo livre para a sua criatividade.

Ler artigo completo

Feliz Dia dos Professores!
Doodle em homenagem ao Dia dos Professores
Doodle em homenagem ao Dia dos Professores

Conteúdos:


Edigley Alexandre

Edigley Alexandre

Graduado em Matemática pelo DME na UERN em 2007, leciona Geometria, Matemática e Física. Blogueiro Part-Time desde 2007. Membro do Google+ Create em Português. Seu interesse é compartilhar conhecimento matemático interligado à Tecnologia da Informação e Comunicação, assim como artigos de opinião sobre Educação, Matemática e Educação Matemática.

Os comentários serão moderados pelo autor do blog. Respondo todas as segundas-feiras, terças-feiras e finais de semana.

É muito bom ler comentários, porém atente para algumas regras muito importantes antes de enviar a sua colaboração para este artigo.


Comente este artigo:

2 comentários:

  1. Resolvi ler teu artigo pois senti a mesma coisa quando fiz meu estágio. Ao me formar na Licenciatura em Matemática bradei aos 4 ventos que só voltaria a uma sala de aula se tudo desse errado. Caí na vida de concurseira, fiz para todas as esferas. Passados 5 anos e por insistência da família fiz concurso para o magistério estadual e dentre os 5% de aprovados lá estava eu. Hoje tento ser a melhor professora para meus alunos. Se antes meu medo era uma sala de aula, hoje meu monstro é a desvalorização por parte do governo! Mas não me vejo em outra profissão e agradeço por poder contar com profissionais como você, Edigley, que compartilham sua sabedoria! Parabéns pelo nosso dia!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Lidiane!

      Também segui essa trilha dos concursos antes de terminar a graduação. Ao descobrir minha vocação e com o apoio de uma ótima orientadora na faculdade, resolvi ficar na licenciatura.

      O monstro da desvalorização continuará assombrando a todos enquanto os governos não entenderem que sem Educação de qualidade o país não se desenvolverá.

      Obrigado por vir aqui e deixar o seu breve relato.

      Um abraço!

      Excluir