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Se você recentemente acabou de encerrar a Licenciatura em Matemática e está em dúvida se quer lecionar em escola pública ou privada, talvez essa postagem possa te ajudar mostrando algumas vantagens e desvantagens para atuar como professor efetivo. Para esse caso, estou levando em consideração as escolas públicas estaduais e municipais.
Você tem a decisão final. Essa postagem traz apenas uma opinião superficial baseada em fatos constatados sobre o nosso sistema de ensino.

Antes de ler esse texto recomendo que leia o artigo Para que serve um matemático e um professor de Matemática?, pois nele escrevi sobre as diferenças entre os dois títulos, que muitas pessoas ainda confundem. Já leu? Então continue com esse texto.

Se você recentemente acabou de encerrar a Licenciatura em Matemática e está em dúvida se quer lecionar em escola pública ou privada, talvez essa postagem possa te ajudar mostrando algumas vantagens e desvantagens para atuar como professor efetivo. Para esse caso, estou levando em consideração as escolas públicas estaduais e municipais.

Descobriu realmente a sua vocação para o ensino? Pretende ansiosamente ser um professor efetivo de Matemática, independentemente da instituição que lecionará? Recomendo que leia o artigo 10 coisas que não podem faltar para um recém licenciado em Matemática.

Nessa postagem é tratado sobre qualidade do ensino, autonomia do professor em sala de aula, sistemas de ensino, disciplina de alunos, liberdade de pensamento, formas de avaliação, etc. Não será tratado sobre remuneração, pois sabemos que tanto o governo quanto no setor privado, o salário não é um atrativo para o professor. Se você entrou em um curso de licenciatura já deve ter isso em mente. Caso queira seguir uma carreira acadêmica na universidade, saiba que nem tudo são flores, caso contrário não existiria greves por melhorias de estrutura e salários. Mas, esse é outro assunto.

Me formei em Matemática e agora? Devo ensinar em escola pública ou privada?

Entenda que o objetivo desse artigo não é desmerecer nenhuma instituição de ensino mesmo que em muitos casos a crítica é bem-vinda. O único objetivo é auxiliar na escolha entre essas duas instituições que atuam de formas diferentes na Educação brasileira. Esse assunto foi sugerido por um dos leitores do blog.

Vantagens e desvantagens de lecionar em escola pública

Antes de tudo, nunca dê atenção para um professor que todos os dias do ano letivo, mais reclama do que faz algo para reverter a situação, principalmente em relação a aprendizagem dos seus alunos. Certa vez recebi um elogio de aluno depois da minha aula e acabei perguntando: por que você diz isso? Ele respondeu: porque você dá aula! A Matemática tradicional ainda funciona, desde que estejamos realmente dispostos para isso. Uma simples aula expositiva ainda faz muita diferença.

A gestão escolar ainda é refém de governos que nunca pensaram em Educação. Se não aprovar X alunos não recebe recursos financeiros do FUNDEB (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação). Em uma determinada escola que trabalhei, 5 alunos foram reprovados em Matemática, por motivos óbvios que a gestão escolar conhece. A coordenadora me encarou nos olhos e disse: refaça os diários e aprove os alunos. É claro que não fiz isso, mas a escola fez. A politicagem com a Educação sempre existiu.

Uma grande vantagem que já experimentei em escola pública é a autonomia que o professor tem para elaborar e por em prática algum projeto que beneficiará principalmente os alunos. A burocracia é bem menor e o apoio é maior, mesmo que os recursos sejam mais escassos. Sobre a avaliação dos alunos, o professor tem a liberdade de alterar os meios necessários para uma avaliação satisfatória, seja sozinho ou em conjunto com a coordenação.

Por outro lado, principalmente em escolas municipais, em alguns casos o professor sofre com perseguições políticas, quando ele não é efetivamente concursado. Me parece que quanto mais bonzinho é o professor mais "repressão" ele ganha.

É certo que tais vantagens e desvantagens variam de estado para estado ou de município para município, pois nem sempre a gestão escolar trabalha de maneira eficaz. Não fixe em sua mente que toda escola pública é ruim e não vale a pena deixar a sua contribuição. Existem ótimas escolas públicas que fazem um ótimo trabalho com seus alunos. Infelizmente há aquelas que os problemas nunca são corrigidos.

Quanto a estrutura, esteja preparado para as piores situações que você possa imaginar.  Já trabalhei em três escolas públicas. Dessas três, uma quase me fez desistir da licenciatura. Conto mais detalhes no artigo Dia do Professor: a esperança é a primeira que morre. Mais uma vez ressalto que não são todas as escolas públicas que sofrem com o ensino e a estrutura.

Talvez em sua região o problema seja menos grave.


Vantagens e desvantagens de lecionar em escola privada

Obviamente em termos de estrutura há mais qualidade. Porém, quando o foco principal está apenas na preocupação com a estrutura, outros problemas surgem de quase todos os cantos, começando pela queda da autonomia do professor em sala de aula e terminando na aprendizagem deficiente dos alunos.

Aliás, sobre estrutura escolar li um texto de uma mãe sobre sua visita a uma escola privada que matricularia sua filha. O texto pode ser lido na coleção Ensino/Educação no Google+.

Olha que interessante, fui conhecer uma escola aqui de CG para matricular minha filha. Enquanto a diretora mostrava, empolgadíssima, sua estrutura (carteiras bonitas, biblioteca infantil, área disso... área daquilo...) viro pra mulher e pergunto:  quanto é a hora/aula do professor que vai dar aula pra minha filha aqui na sua escola? [Lei o texto completo na coleção Ensino/Educação no Google+]

Em questão de aprendizagem, há problemas como em qualquer outra escola pública. Não se engane! Não pense que por ser privada terá sempre alunos com QI diferenciado, onde sua participação será mínima. É um equívoco pensar também nesse segundo ponto, já que lecionar para alunos com maiores habilidades em Matemática ou em outras disciplinas, não significa que ficará "mais fácil", acredito que muito pelo contrário.

Facilmente você pode encontrar alunos que não sabem ler no 6º ano. Alunos no 9º ano sem saber tabuada. E como isso é detectado? Fácil, pergunte aos seus colegas professores que trabalham em outras escolas.

A aprendizagem de um aluno não está ligada à classe social. A aprendizagem de um aluno é um fator cognitivo e isso pode ser uma falha em qualquer instituição, a escola privada não está livre desse fator.

Sobre a autonomia do professor, ela está cada vez menor. Infelizmente está tornando-se comum a intervenção externa nas atividades competentes e exclusivas do professor em sala de aula, porém ainda é possível realizar um bom trabalho.

Neste país não há respeito pela profissão e autonomia do professor (...). (...) O direito e a escolha de como se vai avaliar um aluno é única e exclusivamente do professor, pois é ele quem convive, quem ensina e quem, portanto, sabe exatamente das dificuldades e avanços de cada aluno. Então, se o aluno progrediu ou não, isso pertence ao professor e a mais ninguém. Eu sei e, portanto, sou eu e mais ninguém quem deve escolher os critérios e os instrumentos de avaliação. Qualquer interferência nisso significa perda de autonomia. [Trecho do artigo Visões de autonomia do professor e sua influência na prática pedagógica]

Nesse artigo a autonomia do professor é diagnosticada de forma individualista e solipsista, isto é, uma concepção filosófica de que, além de nós, só existem as nossas experiências. Concordo em parte com o artigo, mas tirar a ação final do professor é um erro.

A autonomia do professor em um contexto geral, é claro, não pode depender apenas de seus próprios esforços. No entanto, a quebra de hierarquias em uma escola não pode ultrapassar os limites de uma sala de aula, onde o professor é uma autoridade de valor.

Na questão de disciplina e indisciplina comportamental de alunos, depende de escola para escola e o como a gestão escolar lida com esse fator. Algumas escolas tratam esse fator com displicência e outras tratam com disciplina rigorosa.

Sobre a liberdade de pensamento e formas de avaliação, em algumas escolas é seguido um estatuto geral. Você como funcionário de uma empresa privada (escola) deve seguir as regras fielmente, caso contrário é demitido.

Tal estatuto pode ser flexível ou não.

Concluindo

Creio que tudo depende do tipo de profissional que você é. É responsável? Tem vocação para o ensino? É comprometido com a Educação? Se adaptar em ambos os sistemas pode ser uma questão de princípios e de tempo também.

Obviamente tudo que mencionei não é válido apenas para Matemática. Destaco essa disciplina pois ela é uma das que sofrem mais no contexto da aprendizagem, comparando os dois sistemas de ensino. Trabalhar o ensino de Matemática em uma escola pública tem seus desafios superiormente maiores do que vemos em uma escola privada.

Por exemplo, na escola pública, não há recurso de pessoal e maquinário para trabalhar geometria com o GeoGebra, visto que os laboratórios de informática estão sucateados. Uma boa alternativa é trabalhar mais com o lúdico e materiais recicláveis, como bem faz a professora Daniela Mendes com o Laboratório Sustentável de Matemática.

Na realidade da escola privada, trabalhar Matemática aliada à tecnologia ou com o lúdico também, não é uma tarefa complexa de se por em prática. Só exige um pouco de planejamento.

Conteúdos:


Edigley Alexandre

Edigley Alexandre

Graduado em Matemática pelo DME na UERN em 2007, leciona Geometria, Matemática e Física. Blogueiro Part-Time desde 2007. Membro do Google+ Create em Português. Seu interesse é compartilhar conhecimento matemático interligado à Tecnologia da Informação e Comunicação, assim como artigos de opinião sobre Educação, Matemática e Educação Matemática.

Os comentários serão moderados pelo autor do blog. Respondo todas as segundas-feiras, terças-feiras e finais de semana.

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