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Camisetas Exatas
Alguns comentários sobre um texto que recebi que aborda como professores devem elaborar uma prova "equilibrada".
Recebi um documento enviado por um leitor (professor) do blog e resolvi compartilhá-lo aqui e comentar alguns pontos sobre o mesmo. Segundo o leitor, este documento foi enviado para os professores através da coordenação pedagógica. Meus comentários estão em cor vermelha. O título do documento é Como elaborar uma prova "equilibrada".

Segue o texto.

25% de questões "difíceis". Como avaliar se uma questão é difícil para um grupo de alunos?
25% de questões "bem fáceis". Como avaliar se uma questão é fácil para um grupo de alunos?
50% de questões "ao nível do aluno". Nível do aluno? Então são 3 grupos de alunos?

Como elaborar uma prova "equilibrada"?

Usando esse critério:

  • Só os "muito bons" vão conseguir a nota máxima. O que define um aluno ser muito bom? Porque estuda, talvez? Classificar alunos dessa forma é um erro, por mais que esse aluno tenha uma alta ou baixa habilidade em qualquer matéria. 
  • A maioria vai conseguir a nota "média". Nota não qualifica alunos, apenas quantifica.
  • Ninguém se sentiria desestimulado, por encarar uma prova totalmente inacessível. Acredito que só o ato de responder uma prova baseada em vários capítulos de um livro didático, e em seguida ser avaliado se marcou certo ou errado (se for objetiva) algumas questões, já é motivo para uma grande desestimulação. Nosso sistema de ensino atual só nos prepara para fazer provas desde o 1º ano, passando pelo Fundamental, Médio, Superior e ainda mais provas para passar em concursos públicos. Prova não qualifica, apenas filtra. E filtra injustamente.

Vantagens

  • Mesmo os mais fracos conseguem uma nota diferente do desagradável zero. Mais uma vez acho um erro classificar um aluno, o chamando de fraco, por não se dar bem nas provas. É muito fácil jogar a culpa para um aluno, alegando que ele é fraco e não tem habilidades para seguir os estudos nas próximas séries/ano, dar uma nota negativa e seguir a vida como se nada tivesse acontecido. É muito difícil olhar para o nosso trabalho (não somente o professor) e ver que temos uma enorme parcela de culpa quando um aluno é dito fraco. E NÃO É NA PROVA que esse aluno deve ser avaliado em seu rendimento como um todo. Escrevi mais sobre esse tema no artigo Você é um aluno fraquinho!
  • Só os destaques da classe atingem a nota máxima, o que valoriza o esforço extra desses alunos. Aluno fraco, aluno destaque e aluno mediano. Isso deve causar uma exclusão perigosa entre os alunos de uma turma, não?!
  • A maioria (que é a média) conseguirá a nota intermediária. Isso, claramente, não é uma vantagem.

Observações:

  • Por questões difíceis entenda: questões que exigem raciocínio e não apenas "decoreba". Decoreba, não! O mais correto seria PROPRIEDADES MATEMÁTICAS ou no máximo memorização (que também é importante no caso de Matemática). Imagine a seguinte questão na prova do 8º ano: Qual o valor da expressão $1988^{2}-1987^{2}$? A questão quer saber se o aluno domina potenciação e suas propriedades. Se sim, não terá dificuldade. Caso contrário gastará alguns minutos fazendo continhas e mais continhas. Portanto, não é importante que o aluno memorize e/ou entenda $a^{2}-b^{2}=(a+b) \cdot (a-b)$? Isso é decoreba? Não!
  • Não se enquadram nesse quesito perguntas cabulosas nem cobranças além do foi ensinado. Que professor em sã consciência "cobrará" em sua prova, questões cujo conteúdo, ele mesmo não ensinou? O que são questões cabulosas? O que significa "além do ensinado"? Imagine a seguinte situação: dei aula sobre equações do 2º grau no 9º ano e mostrei como se resolve essas equações por fatoração e também usando a fórmula da equação quadrática (Bháskara). Em nenhum exemplo utilizei os coeficientes da equação com frações ou decimais. No entanto, na prova o fiz. Deixei a questão cabulosa com isso? Ora, o aluno do 9º ano traz consigo a bagagem de conteúdos do 6º, 7º e 8º ano, por que não explorar situações onde tais conteúdos foram vistos anteriormente? E quando temos uma questão contextualizada e/ou cotidianizada com um texto introdutório de 7 linhas, mais um gráfico de linha e uma modelagem matemática através de uma equação? Podemos dizer que é uma questão cabulosa? Recentemente vi essa questão da OBMEP: qual é a soma dos algarismos da raiz de $\sqrt{1.111.111.111-22.222}$? É uma questão cabulosa para a turma do 8º ano? Eu testei no 9º ano e ninguém resolveu! Tudo depende de um bom raciocínio e lembrar de como aplicar fatores comuns (conteúdo que inicia no 8º ano).

Métodos que devemos ter na hora de elaborar a prova:

  • Relacionar entre as provas e o dia-a-dia em sala de aula. Não entendi (risos).
  • Tomar como base não apenas o conteúdo, mas também a forma como foi apresentado. Não entendi a parte "forma como foi ensinado" (risos).
  • Enunciado das perguntas claramente. Creio que todo enunciado já é claro, falta aos alunos discernimento e entendimento sobre o que está sendo avaliado. Pelo o amor da minha vovozinha, um aluno pegar uma prova e dizer: não entendi professor, me tire uma dúvida! É inaceitável.
  • Não colocar questões com pegadinha. Não sei o que é pegadinha numa prova. Mais uma vez volto para a essa questão: Qual o valor da expressão $1988^{2}-1987^{2}$? é uma pegadinha? Não! Pegadinha só conheço aquelas do Ivo Holanda.

Minha conclusão

É óbvio que SOMENTE o professor tem a capacidade de avaliar seus alunos e isso não pode ser feito exclusivamente através de uma prova de 10 ou mais questões sobre uma porrada de conteúdos. Sugestão externas são sempre bem-vindas e devem ser utilizadas quando elas condizem com o trabalho que o professor desenvolve durante todo os dias letivos.

Particularmente não adoto provas de múltipla escolha como método avaliativo exclusivo. Há algumas possibilidades/critérios que podemos aplicar num agrupamento de notas objetivas e subjetivas. As subjetivas podem ser:
  • Iniciativa do aluno.
  • Persistência e comprometimento.
  • Atenção e participação ativa durante aulas.
  • Organização de estudos através de um cronograma de horários.
E tudo mais que julgar útil para uma avaliação. Sugiro que leia os seguintes artigo no blog:
Edigley Alexandre

Edigley Alexandre

Graduado em Matemática pelo DME na UERN em 2007, leciona Geometria, Matemática e Física. Blogueiro Part-Time desde 2007. Membro do extinto Google+ Create em Português. Seu interesse é compartilhar conhecimento matemático interligado à Tecnologia da Informação e Comunicação, assim como artigos de opinião sobre Educação, Matemática e Educação Matemática.

Os comentários serão moderados pelo autor do blog. Respondo todas as segundas-feiras, terças-feiras e finais de semana.

É muito bom ler comentários, porém atente para algumas regras muito importantes antes de enviar a sua colaboração para este artigo.


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