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09 julho 2012

5 dicas para as aulas de Matemática

Diferente das aulas de outras disciplinas, não desmerecendo a atenção delas, Matemática é a que mais necessita de uma preparação mais detalhada. Uma aula de Matemática nem sempre se resume a cálculos no quadro.

Muitas vezes planejar estruturalmente uma aula, não ajudará muito se o professor não souber como abordar de forma diferente determinado conteúdo, fazendo com que prenda a atenção do aluno. As aulas não podem depender apenas de inovações para ser atrativa, transformar uma aula em um debate, uma conversa informal divertida, aberta e sincera, prende muito mais a atenção dos alunos, do que algum método inovador (não sou contra a inovações, muito pelo contrário).

5 dicas para as aulas de Matemática

Este artigo não dedica a impor saberes de como você, professor (a), leciona na escola ou faculdade que trabalha. Apenas compartilho uma maneira mais agradável de construir uma aula de Matemática, baseada na minha vivência como professor em escolas públicas e privadas.


A seguir algumas dicas para uma aula de Matemática, que destaco nos seguintes Índice de tópicos.

1- História da Matemática
2- Exemplos práticos ligados ao nosso cotidiano (nada de cálculo)
3- Teoria Matemática
4- Aplicação matemática
     4.1 - Exercícios práticos na forma de cálculo (problemas-situação)
     4.2 - Exercícios teóricos (praticar a habilidade matemática)
     4.3 - Exercícios concretos (aplicar o cálculo a alguma situação real)
5- Fazer uso das TICs.


1- História da Matemática


Isso sempre acontece em qualquer sala de aula. Mal começa a aula e uma das primeiras perguntas que se escuta é: porque professor? De onde veio isso? Quem criou? Quando? Como? E a discussão se estende por alguns minutos. É impossível responder toda e qualquer pergunta vinda de uma mente jovem de estudante. Sempre tem aquela pergunta que não quer calar. Nada como boas leituras e muita pesquisa possa ajudar.

Onde entra a História da Matemática neste contexto?

Mostrar a origem das palavras, a criação/desenvolvimento da Matemática, os homens e mulheres que estão por trás dela, é importantíssimo para dar base a  todos os assuntos que serão abordados nas aulas.

Se você pensa em ser professor de Matemática, prepare-se para um dos maiores desafios de todas as profissões da licenciatura. Perguntas como: Por que o sinal de "mais" é o símbolo +, isso sempre foi assim? Como surgiu a Matemática? Quem a criou? Quem criou os números? As dúvidas mais simples são as mais intrigantes e as de difícil resposta.

Indico os seguintes livros para leitura.
  • História da Matemática de Uta C. Merzbach e Carl B. Boyer. (para comprar)
  • A História da Matemática de Anne Rooney. (para comprar)

Você tem uma chance de ganhar gratuitamente o livro de Uta C. Merzbach e Carl B. Boyer, participando da 1ª promoção do blog O Baricentro da Mente. O sorteio será no dia 21/07/2012 e as inscrições para concorrer ao livro serão até o dia 20/07. 

Esta edição apresenta uma cobertura atualizada de tópicos como o último teorema de Fermat e a conjectura de Poincaré, além de avanços recentes em áreas como teoria dos grupos finitos e demonstrações com o auxílio do computador.

Boa sorte na promoção!
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2- Exemplos práticos ligados ao nosso cotidiano


O primeiro passo para se prender a atenção do aluno é mostrar a relação matemática-aplicação, mas de forma que não precise utilizar nenhum tipo de teoria matemática ou cálculos. Baseando-se em fatos históricos anteriormente abordados é possível fazer uma boa relação de como a Matemática era usada há milhares de anos e como ela é utilizada hoje.

Este estágio da aula servirá para despertar a curiosidade dos alunos em tentar entender, o que tem a ver Matemática com situações do nosso dia a dia.

Mesmo que de momento, não seja possível compreender algumas aplicações, mesmo assim ainda é válido mostrar ao aluno que a Matemática está presente em tudo que os cercam. Desde a administração da mesada que recebem dos pais à movimentações financeiras bancárias. Desde assistir TV à como construir uma antena parabólica.

O mais importante é trabalhar este aspecto em sala de aula de maneira agradável, através de leituras de textos, vídeos documentários e muita discussão aberta e divertida.
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3- Teoria Matemática


Nesta fase incia-se a parte mais difícil da aula — introduzir conceitos e definições matemáticas. É nesta hora da aula que surge dezenas de perguntas sem antes o professor ter terminado de explicar o conteúdo abordado naquele momento. Independente da série/ano, as dúvidas quase sempre são as mesmas.

Aula sobre equações, por exemplo, utilizamos palavras como: incógnita, igualdade, membros da equação, sinais, conjuntos numéricos e muita simbologia.

É claro que este conteúdo depende de pré-requisitos, mas se o aluno não conseguir absorver as definições corretas para cada situação, consequentemente ele terá dificuldades em Matemática no restante de sua vida escolar. Parece bobagem, mas simples palavras na Matemática, quando não é dada importância para elas, isso pode causar uma série de deficiências que se estenderá para os demais anos. Leia o artigo A Matemática tradicional ainda funciona, onde explico melhor sobre esse aspecto.
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4- Aplicação matemática


Outro lado da aula de Matemática é responder a pergunta mais famosa que se escuta em escolas de qualquer nível: Para que serve a Matemática? Este é o tema que mais abordo no blog. Observe o comentário a seguir.

Eu sou aluna do 2º ano, tenho 16 anos e, atualmente, estou vendo trigonometria (após ter visto pa e pg) e confesso que a matemática se torna muito torturante quando o professor(a) não dá a minima para a história, a origem daquele assunto (não explicam em que ocasiões pode ser aplicada tal fórmula) e quando não dão a minima, acredite, para seus próprios alunos... é realmente humilhante. [Comentário de Adriana em Para que serve a Matemática?

Mostrar aplicações matemáticas concretas é a parte mais fácil neste ponto da aula, pois não é muito complicado encontrar aplicações matemáticas atualmente, a parte difícil é mostrar como isso acontece. Mais uma vez, volto a repetir dizendo que mesmo assim, ainda é proveitoso apenas explorar de maneira superficial as aplicações matemáticas, pois as que atrairiam maior atenção dos alunos são as menos palpáveis devido ao seu alto grau de complexidade.

O que se pode fazer é usar exemplo mais simples, porém concretos e que o aluno possa assimilar bem. Acompanhe os próximos tópicos.
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Abordar aplicações matemáticas através de problemas-situação (recomendado nos PCNs) é essencial para aguçar o raciocínio lógico e algébrico do aluno, pois nesta fase, e dependendo da série/ano, ele tomará esses problemas-situações como uma espécie de desafio e isso é muito bom para seu aprendizado.

Acesse os artigos abaixo, onde mostro algumas aplicações matemáticas na forma de problemas-situação.


Praticar a habilidade matemática (fazer continhas) também é importante, desde que seja mostrada de forma correta e rigorosa. No link presente no tópico 3, abordo sobre esse tema bastante polêmico.

Não vou ser hipócrita escrevendo este artigo destacando como seria uma aula de Matemática satisfatória, esquecendo que também sou professor e sei que nem sempre é possível dar a aula que sempre queremos, devidos a vários fatores como: tempo de conclusão dos conteúdos, planejamento destas atividades também requer muito tempo, avaliações, diários e demais tarefas que nos competem.

O ideal é que essas aulas sejam planejadas a cada semana e seja aplicada durante a semana toda.
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Esta etapa dedica-se especialmente a alunos do Ensino Fundamental II, onde é necessidade básica mostrar os conteúdos matemáticos de forma concreta, buscando melhor compreensão e assimilação dos conteúdos. Para esse tipo de atividade é necessário fazer uso de materiais manipuláveis e que abordem diversos temas. Esses materiais podem ser confeccionados pelos próprios alunos ou comprados em uma livraria.

Há duas formas de abordar os conteúdos matemáticos:

  • Através de jogos concretos ou informatizados.
  • Através de objetos manipuláveis que tratam diretamente de uma aplicação matemática.

Um dos projetos de conclusão do curso de Matemática que terminei em 2007, em que fui colaborador, tratava justamente sobre esta visão da aplicação de jogos matemáticos concretos (manipuláveis) e os informatizados. E ficou claro para todos os envolvidos no projeto, que a inclusão de jogos matemáticos no processo de ensino-aprendizagem, trazem resultados incríveis. Leia o artigo Jogos online que podem ser aplicados nas aulas de Matemática como complemento.
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5- Fazer uso dasTICs


Segundo a UNESCO, o Brasil precisa melhorar a competência dos professores em utilizar as tecnologias de comunicação e informação na educação.

Mesmo que de início, o foco maior seja combater a exclusão digital no país, especificamente na Educação, um dos mais comprovados meios para se obter melhores resultados de aprendizagem dos alunos, é fazendo uso de tecnologias inovadoras em sala de aula.

Primeiro, as TICs são apenas uma parte de um contínuo desenvolvimento de tecnologias, a começar pelo giz e os livros, todos podendo apoiar e enriquecer a aprendizagem. Segundo, as TICs, como qualquer ferramenta, devem ser usadas e adaptadas para servir a fins educacionais. [Leia TICs na Educação do Brasil em www.unesco.org]

Por serem atrativas, dinâmicas e divertidas, propiciam maior interesse do estudante em querer aprender, principalmente para a disciplina de Matemática. Neste ponto, é indispensável ter um conjunto de ferramentas que possam colaborar para o enriquecimento das aulas.

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Sou um grande defensor do uso de softwares educacionais, independente do sistema operacional e dispositivo móvel, como alternativa essencial no auxílio para o ensino-aprendizagem. Ao longo de 3 anos publicando artigos no blog, tenho abordado ferramentas importantíssimas para professores e alunos. Clique nas categorias correspondentes a Softwares LivresExtensões, Jogos, etc., que localizam-se na parte inferior do blog em Marcadores


Neste artigo, exponho uma forma particular de elaborar uma boa aula de Matemática. Se esse método faz referência alguma prática metodológica criada por grandes mestres pedagógicos, não passa de mera coincidência. 

Volto a repetir que, em nenhum instante tenho a intenção de influenciar professores a como construir sua aula de Matemática. O que pretendo é apenas compartilhar uma forma mais abrangente de expor e administrar uma aula de Matemática, sobre os mais diversos aspectos.
Edigley Alexandre

Graduado em Matemática pelo DME na UERN em 2007, leciona Geometria, Matemática e Física. Seu interesse é compartilhar conhecimento matemático interligado à Tecnologia da Informação e Comunicação.


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