Se você está lendo este texto, por algum motivo você pensa em querer ser um professor ou que é um professor, e, não necessariamente, está pensando em desistir da licenciatura.
Se você está lendo este texto, por algum motivo você pensa em querer ser um professor ou que é um professor, e, não necessariamente, está pensando em desistir da licenciatura. Não entrarei nesta discussão, porém com o passar dos anos, aquele ânimo pode ir embora e surge logo o pensamento de querer desistir de ser um professor. É normal.

A profissão de professor está ficando tão saturada que talvez você não precisará destes 3 motivos, que lerá logo mais, e que podem transformar o seu desânimo em um desistência definitiva. Estes motivos dependem de seu caráter pessoal e da sua qualidade como professor de qualquer disciplina. Darei ênfase a Matemática, obviamente porque sou professor de Matemática e o blog trata deste tema.

Em outro contexto, recomendo que leia: 7 razões para você nunca querer ser um professor de Matemática.

Mas antes vamos relembrar uma frase polêmica de um político, em 2014? Minha intenção não é te desanimar, apenas faça uma reflexão e imagine a situação que estamos. (a imagem abaixo só aparecerá dentro do blog ou feed).

O que faria você desistir de ser um professor?


É muito animador começar o ano assim. Vamos seguir em frente. Os motivos abaixo não estão na ordem de importância.

1- Ensinar Matemática no Brasil é um 'desafio' árduo

Os anos passam, novas tecnologias surgem para auxiliar o professor e o aprendizado dos estudantes, e o Ensino de Matemática no Brasil continua colecionando resultados ruins.  O Brasil ocupa a posição 38º de 44 países, em teste de raciocínio do PISA 2014. Apenas 2% dos alunos brasileiros conseguem resolver problemas de Matemática mais complexos.

Mais de 90% concluem ensino médio sem aprendizado adequado de Matemática, sem falar que as estatísticas do ENEM também não são animadoras.

Estas são apenas algumas estatísticas recentes que refletem a complexidade gigantesca que é tentar contornar esses resultados ruins. Creio que para outras disciplinas estas porcentagens não são tão diferentes.

Se você estiver pensamento na carreira de professor, saiba que terá que lutar e fazer de tudo para conseguir obter bons resultados. E não me refiro a apenas notas, me refiro a todo o sistema engessado que impede de avançar em busca de uma melhoria significativa. Isso vale para a rede pública e privada.

2- Desvalorização (Mostre o seu valor)

Quando falamos em valorização ou desvalorização do professor, o que vem logo em mente são as baixas remunerações. Particularmente, este não é um fator que vale para esse critério. 

A valorização da figura do professor está deixando de ser importante, não apenas por ser mal pago. É um conjunto de fatores complexos demais para tentar justificar. Os governos, má gestão escolar, sistema de ensino ultrapassado, o próprio professor, o estudante, etc., todos têm a sua parcela de culpa. Um apontar a culpa do outro não resolve nada. Criar alternativas concretas para mudar esse quadro é um bom começo.

O interessante é ler um estudo revelando que quase 90% dos professores brasileiros se sentem desvalorizados. O mesmo estudo aponta que 87% dos professores consideram-se realizados no emprego.

A desvalorização pode atingir de todas as formas. Se, por exemplo, não quiser ser alvo de piadas na sala de aula por alunos inconsequentes ou professores descompromissados ou ainda na internet, saiba que os professores de Matemática são os alvos preferidos. Não se trata apenas de imagens e vídeos engraçados, mas sim da ignorância intelectual das pessoas acharem que Matemática não serve pra nada. Isso me incomoda demais. E deverá te incomodar também.

Você perceberá isso com mais nitidez na sua própria sala de aula. Particularmente é o maior empecilho e que pode causar maior desmotivação.

Mostre o seu valor. É a única forma de contornar esta situação. Dê a sua contribuição por mais pequena que você possa imaginar. Busque alternativas para atrair os seus alunos para a sua aula. Sei que é difícil querer mudar algumas rotinas educacionais, quando ganhamos tão pouco por um esforço gigante. Mas este esforço não é apenas por dinheiro. É pela Educação. Bons professores podem inspirar bons futuros professores.

Para professores de Matemática eu recomendo a leitura de 5 dicas para as aulas de Matemática e de diversos outros textos sobre o ensino.

3- Baixa remuneração

Este fator não é um mistério. Ninguém quer trabalhar muito e ganhar pouco. No entanto, há uma confusão de que professor sempre terá um péssimo salário. Tudo dependerá de suas próprias escolhas, ou fatores sócio-culturais que os moldam.

Um professor com nível superior completo, com uma especialização, um mestrado, um doutorado, e trabalhando em algum Instituto Federal ou universidade, ganhará pouco? Creio que não. E por que professores com esta formação não se arriscam na escola pública? Pelos motivos 1, 2 e outros mais que você possa imaginar (motivos bons ou ruins).

Por diversos motivos, nem todos tiveram a oportunidade de se qualificarem (pós-graduações) e conseguirem um emprego em um boa escola ou universidade. Isso significa que são desqualificados? Pelo contrário, existem muitos professores que batalham muito por um ensino melhor.

O que me deixa extremamente revoltado não é se o professor ganha pouco ou muito, se tem apenas a graduação completa ou pós-graduação, o que me incomoda é não haver um salário justo para todos.

Me revolta ler um noticiário que diz: senadores e deputados aumentam seus salários com um reajuste de 70%. E ainda há aqueles "políticos" sanguessugas que reclamam. Observe o tamanho desta injustiça. NUNCA NINGUÉM VAI ME CONVENCER QUE UM POLÍTICO MERECE UMA REMUNERAÇÃO SALARIAL TÃO ALTA. Seja ele honesto ou não.

Se você estiver preparado para vivenciar e enfrentar tudo isso, seja um professor. Mas seja 'o professor'. Dê a sua contribuição e faça a diferença.

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Enviei a pergunta O que faria você desistir de ser um professor? para colegas professores de algumas disciplinas e para uma pessoa que não é professor (para ler a opinião de quem está fora do meio educacional). As respostas foram as seguintes.

O que me faria deixar de ser professor seria quando eu chegasse pra lecionar e visse criminosos ao invés de alunos, querendo vantagens e não conhecimentos... [Jorge Romão - Professor de História e Literatura]

O que me levaria a desistir de ser um professor seria, não poder inovar no momento do ensino. Ser obrigado a seguir um currículo engessado, que não permita compartilhar todo o potencial que posso ter como educador, em sala de aula, para tornar o aprendizado dos meus alunos mais atraente. [Rubão Lima - Prof. de Matemática]

O que me motivaria a deixar de ser professora, são todas as violências às quais a classe está submetida desde a hostilidade dos alunos, passando pela omissão dos pais, a falta de estrutura física e profissional da escola, baixa remuneração, excesso de trabalho, falta de benefícios trabalhistas, enfim, a falta de valorização docente de todas as formas. [Daniela Mendes - Professora de Matemática]

O maior desestímulo atualmente para o professor é a própria decadência moral da sociedade. O professor tem que aceitar muitas coisas que antes nem se cogitaria. Alunos-advogados que sabem de todos os seus direitos, mas não sabem o significado de suas obrigações. No Brasil a corrupção sempre compensa, começa na escola: as colas (trapaça), o bullying com outras, crianças, falta de atenção nas aulas (falta de respeito), entre outras coisas. [Patrício Souza - Professor de Matemática]

Principalmente a falta de interesse dos alunos. Mas a realidade salarial dos professores pelo Brasil também é desestimulante. [Rafael Procópio - Professor de Matemática]

O maior motivo que pode me motivar a deixar a docência é a baixa remuneração, ou seja, se possível ventura houver futuramente uma política onde a remuneração deixe de ser um atrativo. O primeiro motivo é esse. Um segundo motivo, seria se houvesse algum tipo de problema em sala de aula que me deixasse sem vontade de continuar lecionando. [André Carlos - Professor de Matemática]

Eu deixaria de ser professor se todas as pessoas deixassem de querer aprender. Se as escolas deixassem de ser um lugar de aprendizado e se tornassem apenas um lugar de passeio. E principalmente, se não me desse mais alegria fazer o que faço. Enquanto houver alguém que queira aprender, estarei lá ensinando. [Abrahao Lopes - Professor de Programação]

O motivo pelo qual me faria desistir de exercer a profissão, seria uma oportunidade de ter uma renda maior, mas mesmo assim, eu pensaria duas vezes. [Gilmara Macedo - Professora de Matemática]

Frustração.. Acho que seria o único motivo.. E no Brasil ser frustrado com o ensino é bem fácil. [Alberto Lozéa - Professor de Física]

Já pensei em desistir pelos inúmeros descasos do governo e de colegas em não dedicarem devido valor à educação, por conta de alunos que só veem a escola como uma imposição e famílias que agradecem pelo horário da escola em que se livram de seus filhos... ou mesmo quando fui ameaçado de morte por um aluno de 11 anos... Mas ainda sou professor. Creio que mesmo não precisando trabalhar não desistiria, aos poucos fui gostando mais das atividades de um professor que não me vejo em outra profissão. [Charles Bastos - Professor de Matemática]

O sistema educacional em que se encontramos atualmente força os professores do setor público a praticamente passarem cem por cento de nossos alunos. Digo isso por que já passei por essa situação de ter que passar alunos que não atingiram a média simplesmente para atingir a cota de alunos aprovados e diminuir os índices de reprovação da escola. Esse sem dúvidas seria e é um dos motivos que faria eu desistir de um dia ser professor, pois essa atitude acaba invertendo os valores de um professor e nos coloca pra baixo enquanto profissionais. [Romirys Cavalcante - Professor de Matemática]

O motivo seria devido a baixa remuneração, pois interfere diretamente a qualidade de vida, reconhecimento e satisfação pessoal, já que infelizmente o gosto pelo trabalho não garante melhores condições de vida. Com isso a busca incansável por qualificação e um melhor status, aliado a grande concorrência muitas vezes gera frustração. [Dailton Freire - Professor de Geografia]

A violência na sala de aula e a falta de logística que garanta a minha segurança. [José Ferreira - Professor de Informática]

Já me fiz essa pergunta algumas vezes e pessoalmente, tenho os seguintes motivos: 1) A estrutura educacional do país, que é injusta e burocrática. Por exemplo, uma pessoa mestre em Matemática e graduação em Engenharia não pode assumir a vaga de um concurso que foi o único aprovado, 2) No Brasil, nada é levado a sério e as poucas pessoas que querem realmente ensinar são persuadidos e pressionados a serem iguais a eles. 3) Nossos estados e nós mesmos somos colônias de Brasília, de modo que as verbas para pesquisa e outras formas de divulgar a Matemática não tem apoio, não tem verba se não for vinculado a algum grupo influente que sabe os caminhos e os jeitinhos de Brasília. 4) Competência e dedicação não são qualidades para os alunos, hoje em dia, eles somente querem o diploma e por que isso? porque eles perceberam que no Brasil, não precisa ter conhecimento para ter um bom emprego, basta o canudo. [Paulo Sérgio - Professor de Matemática]

Em nenhum momento pensei em desistir de ser professor, mesmo com todas as dificuldades envolvidas, talvez algum dia faça outra atividade, mas mesmo assim quero e pretendo continuar sendo professor. Apesar da luta diária que temos, como indisciplina, falta de interesse em aprender por parte dos alunos, o meu amor pela profissão que escolhi supera todo isso. Amo ser professor e não me vejo fazendo outra coisa. [Renato Ribeiro - Professor de Matemática]

O que me faria desistir da docência é a falta de segurança física e salário que não pague minhas contas. Alunos que agridem professores e ter inúmeros empregos são coisas que me desestimulariam muito. [Angélica Alves - Professora de Matemática]

Provavelmente, o que me faria desistir de ser um professor seria um perceber que não estou conseguindo cumprir o meu papel, vendo os alunos desinteressados no conteúdo que tendo passar, por não conseguirem entender a importância disso para suas vidas. Percebo que os professores que marcaram a minha vida foram justamente os que me passaram os ensinamentos que me ajudaram nas mais diversas situações pelas quais eu passei. Se eu não conseguisse deixar essa "marca" neles, é bastante provável que eu não conseguiria seguir em frente. [Adelson Smania - Gerente de projetos e blogueiro]

Espero ler a sua opinião também.

Conteúdos:


Edigley Alexandre

Edigley Alexandre

Graduado em Matemática pelo DME na UERN em 2007, leciona Geometria, Matemática e Física. Blogueiro Part-Time desde 2007. Membro do Google+ Create em Português. Seu interesse é compartilhar conhecimento matemático interligado à Tecnologia da Informação e Comunicação, assim como artigos de opinião sobre Educação, Matemática e Educação Matemática.

Os comentários serão moderados pelo autor do blog. Respondo todas as segundas-feiras, terças-feiras e finais de semana.

É muito bom ler comentários, porém atente para algumas regras muito importantes antes de enviar a sua colaboração para este artigo.


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10 comentários:

  1. O que me faria desistir de ser uma educadora seria chegar na sala de aula e ficar contando os minutos para sair da mesma.Nesse momento, com certeza entenderia que não sou mais uma educadora.Logicamente que os fatores sitados acima pelos demais também me incomodam bastante.

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    1. Olá, Lucimeires!

      Você citou um fator que eu acredito ser muito forte. Já sou professor há 10 anos, dando aulas em dois expedientes e mesmo com esse ritmo frenético, as horas passam voando, e ás vezes até os alunos acham isso também.

      É um belo parâmetro para começar a repensar alguns conceitos.

      Um abraço!

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  2. Tìtulo provocador!!!
    Nos remete a uma reflexão muito profunda!!!
    Eu tinha todos os motivos para não querer ser professora.
    Mas existem heróis sim, seus nomes...Professores...
    Meus alunos me perguntam se sou fã de alguém. Resposta na ponta da língua: Meus professores...
    Hoje sou colega de trabalho de professores meu. Isso pra mim é uma honra!!!
    Se eu desistir da minha profissão, penso que morro.!!!
    Sempre fui uma filha muito obediente. Mas na escolha da profissão se fez necessário desobedecer meu pai. E isso me custou muito caro!!! Mas amo o que faço e sou Feliz. Meu pai compreendeu que meu lugar não era dentro de uma empresa e sim em uma sala de aula. Fazendo a diferença não sendo estrela, mas fazendo os meus alunos brilhar!!!!
    Abraços!!!
    Professores, por favor, quando pensarem em desistir da profissão. Lembrem-se dos motivos os fizeram aguentar até agora!!! O Futuro precisa de nós!!!!

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    1. Olá, Elaine!

      Adorei ler seu comentário. Nossa, temos experiências praticamente iguais.

      Já trabalhei com os professores que foram os meus professores no Ensino Fundamental e me tornei amigo do professor de Matemática. Foi uma das experiências mais satisfatórias da minha vida.

      E sobre a escolha da minha profissão, também meu pai queria que trabalhasse na empresa que ele trabalhava. Ele dizia que não via futuro na minha profissão. Mas tive que enfrentar.

      Até agora estou satisfeito e não me vejo fazendo outra coisa.

      Um abraço!

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  3. Adoro minha profissão, mas na escola pública eu sinto um total descontentamento, tristeza, desânimo. Em 2014 pensei em desistir, tentei até concurso na área administrativa, área que trabalhei por 14 anos. Só não desisti pois me realizo nas aulas particulares, e é esse rumo que pretendo seguir. Estou investindo nesse ramo e pretendo abrir um negócio na área, e assim que esse negócio deslanchar, saio da escola pública. Pelo menos em SP, o descaso é total, e a falta de respeito dos alunos, dos pais e do governo são imensos. Em 2014 mesmo fui agredido por um menino de 11 anos, e o pai ainda arrumou confusão comigo.
    Quem vê minha postagem pensa que estou a muito tempo no ensino público, mas estou somente a 2 anos. Na educação, estou a 9 anos, e sempre me realizei nos outros lugares, como escolas particulares, ONGs, cursinhos preparatórios para concursos públicos. Mas como nesses lugares você não sabe se está empregado amanhã, e é bem provável que não, então optei pelo ensino público. Como trabalho na escola somente no período da manhã, consigo empreender tarde e noite. E digo que é extremamente satisfatório ver o reconhecimento dos alunos e pais que pagam as aulas particulares, e o que me deixa mais feliz são as aulas particulares para concursos públicos, pessoas adultas e trabalhadores comuns levantando sua auto-estima por finalmente aprender os conteúdos e conceitos Matemáticos.

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    1. Olá, Jefferson!

      Eu imagino as situações que passou. Passei por algumas também na época que trabalhe na rede estadual, mas também colecionei boas experiências neste período.

      Reconhecimento é o melhor pagamento que podemos receber.

      Um abraço!

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  4. Eu trabalho com alfabetização e gosto muito o do que faço..adoro o contato com os alunos, a energia Boa que me transmitem e quando consigo que um aluno que apresenta dificuldades aprenda é um desafio vencido..Só me cristã o fato de perder muito tempo com indisciplina.. A família hj é permissiva e a criança não aprende regras básicas de convivência..So deixaria de ser educadora o período integral pra ficar apenas com um período..A remuneração baixa me força aos dois períodos é o desgaste é grande..meu ideal seria meio período com aluno e o restante do dia poderia preparar melhor as aulas. Enfim teria mais qualidade de vida.

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    1. Olá, Edna!

      Esse é o ideal. Mas quem cuida da gestão escolar parece que não pensa assim. Sobre a indisciplina de alunos, o que acontece é que as famílias estão ficando desestruturadas e a herança disso cai nos filhos também.

      Um abraço!

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  5. Olá, Edigley! Sou estudante de Letras, estou atualmente no meu terceiro ano de curso. Desde novo meus colegas me falavam que eu ensinava bem e frequentemente eu os ajudava a entender a matéria e fazer as lições. Fui para letras com o real objetivo de ser professor, de transformar vidas e de inspirar pessoas. Tinha essa enorme vontade enquanto vestibulando e calouro, hoje me sinto desmotivado. Um dos motivos é o meu gosto por filosofia e por achar que as mudanças que quero na sociedade são coisas que vão demorar milênios para finalmente serem aceitas, vejo por exemplo a questão do feminismo, preconceito racial e diversas questões que eu gostaria de melhorar na sociedade mas não sou dono do mundo. Mas além disso, o que me desmotiva mesmo é o salário. Acho que se a profissão (professor de escola pública mesmo) pagasse bem, bem mesmo, eu não ligaria tanto assim para os casos de indisciplina, de falta de infraestrutura ou de descaso com a profissão. Porém o salário é o que realmente me pega e me faz pensar muuuuito em ser funcionário público e ter um alto salário. Nunca dei uma aula, nem entrei na profissão e já estou querendo desistir!!!! Tenho medo de me sentir frustrado sendo funcionário público (concursado e ganhando muito bem) e não estar dando aulas. Porém tenho medo também de ser professor e abrir mão de toda uma qualidade de vida, saúde, vitalidade e todas as coisas que eu estaria perdendo aos poucos... Perdendo minha saúde, minhas qualidade e quantidade de refeições, minha estabilidade financeira... Perdendo meu tempo livre com coisas para a sala de aula (e que não vou ser remunerado por levar trabalho para casa).. Todos que querem ser professores, acredito eu, tem essa coisa de acreditar que vão realmente "fazer a diferença". E eu acredito nisso, acredito que posso sim fazer a diferença, inspirar pessoas a correrem atrás de sonhos e a serem pessoas melhores. Só que salário (e o fato de levar trabalho para casa) são coisas que me fazem pensar em desistir da profissão, sem nem ter começado... :( Obrigado pelo artigo e principalmente pelos comentários de diversos professores que você colocou. Penso até em seguir como professor, mas dar aulas no Canadá e em países em que o profissional seja mais valorizado que aqui. Todos nós lutamos por uma educação melhor... Acho que nosso país está perdendo grandes professores a cada dia. Está quase me perdendo também... Abraços e nunca desista!!!

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    1. Olá, Daniel!

      Seu modo de pensar é basicamente igual ao meu. A única diferença é que já estou na licenciatura há 13 anos. Entendo perfeitamente todos os seus motivos (prós e contras).

      Sou bom em ensinar Matemática. Talvez seria um bom profissional da área de TI. Talvez seria um bom baterista em alguma banda tentando sucesso. Talvez. Essas três situações me fascinam.

      Muitos colegam me perguntam: por que não faz um concurso púbico para algum banco, PRF, etc.? Você é fera em Matemática, se sairia bem e teria um ótimo salário.

      É verdade. Mas e a minha satisfação? E a minha realização? Salário conta mais? Dessas três opções a única que faço realmente a diferença é na educação. Ganho pouco? Ganho! Não preciso de muito para ter uma vida estável e sossegada. Sofro com alunos indisciplinados? Não muito. Porém procuro ver o outro lado. Tento enxergar os que querem mais do que os não querem. Não ajudo somente com a Matemática. Tento inspirá-los de alguma forma. Nem sempre consigo. No entanto fico extremamente feliz quando consigo. E é nisso que me apego.

      Hoje encontrei um ex-aluno do fundamental. Nunca foi um ótimo aluno, porém sempre absorvia o que recomendava para o futuro da sua vida. Esse aluno começou a cursar Letras e pretende cursar mestrado, doutorado, etc. Isso é incrível.

      Diversos ex-alunos me procuram em redes sociais na internet e agradecem por toda a minha colaboração em sua formação. Muitos cursando Engenharia, Direito e outras áreas. Receber uma mensagem de um ex-aluno dizendo o quanto você foi importante em seu trajeto é indescritivelmente emocionante. E é nisso que me apego.

      Mas professor, são poucos alunos que retornam assim? Sim. Mas o meu trabalho e, futuramente, o trabalho desses ex-alunos se transformará em uma pequena bola de neve que vai crescendo aos poucos. A minha orientadora sempre dizia: “dê a sua pequena contribuição”. É o que tento fazer.

      Costumo dizer que hoje não me vejo fazendo outra coisa a não ser lecionar. Passar a minha paixão pela Matemática para meus alunos não é a minha tarefa principal, mas quando consigo me sinto feliz.

      Daniel, se você realmente tem vocação para o ensino não desperdice uma oportunidade. Se não quer trabalhar em escola secundária pública ou privada, tente no ensino superior. Os salários são melhores em relação a outra rede de ensino.

      Faça o curso superior que deseja, depois especialização, mestrado, doutorado, etc. Tente concursos para universidades ou IF’s (institutos federais) e dê a sua contribuição para o ensino superior. Saiba que não é apenas no ensino fundamental e médio que há professores descompromissados, no ensino superior também tem. Você pode fazer a diferença lá.

      Se pergunte: como estarei nessa profissão (a que escolher) daqui a 30 anos?

      Te desejo muito sucesso em sua vida.

      Obrigado pelo comentário.

      Um abraço!

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