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A ideia desse post é de relatar erros que cometemos na hora de corrigir provas, e como, particularmente, administro isso (ou tento). Se puder colocar em prática você só tem a ganhar. Caso contrário, continuará no mesmo estilo que funciona para você.
Erros são comuns do ser humano e sem eles nossa aprendizagem não teria evoluído ao ponto que estamos hoje. A história da ciência mostra isso claramente. No entanto, quanto mais tentamos nos livrar de alguns erros, mais avançamos sem muitos esforços.

Pelo menos pode acontecer isso na hora de você corrigir suas provas de Matemática ou de qualquer outra disciplina.

Não encare essa postagem como uma imposição, pois não é. Até porque cada erro citado aqui foi baseado em minhas próprias experiências como professor de Matemática há 15 anos e outros me foram passados através dos meus orientadores na faculdade.

Leituras complementares:

Leia a postagem completa depois da imagem.

5 erros que todo professor não pode cometer na hora de corrigir provas

É certo de que algumas coisas que você lerá nesse artigo fará você dizer: mas não tenho tempo para isso! Ou ainda dirá: é impossível trabalhar nesse estilo!

A ideia desse post é de relatar erros que cometemos na hora de corrigir provas, e como, particularmente, administro isso (ou tento). Se puder colocar em prática você só tem a ganhar. Caso contrário, continuará no mesmo estilo que funciona para você.

1) Corrigir todas as provas de uma vez só

É claro que isso depende do volume de provas que você tem para corrigir.

Mas por quê não podemos corrigir todas as provas de uma vez só?

Você pode sim! (risos). As provas são suas e ninguém pode julgar você quanto a isso. Porém, um erro pode acontecer no meio disso tudo.

Por exemplo: você tem 10 turmas e aplicou uma prova subjetiva com 10 questões em cada prova. São 100 questões para analisar passo a passo.

Quando você chegar antes da metade das correções, é quase certeza que você cometerá erros nas correções. É impossível você corrigir esse volume de provas da turma 1 a turma 10 com o mesmo ritmo, dedicação e principalmente atenção.

O cansaço te vencerá. E você cometerá equívocos bobos, como:
  • Quantificar a nota errada;
  • Esquecer de corrigir uma questão;
  • Faltar com bom senso em determinadas respostas de alunos;
  • Entre outros.

Como fazer?

Dependendo do cronograma de avaliações adotado na escola que trabalha, corrija suas provas no mesmo dia em que aplicou-as. Certamente todas as provas não são aplicadas na mesma data.

Por exemplo, apliquei uma avaliação na segunda-feira e na segunda-feira já corrigi.

2) Separar as provas corrigidas das provas que não foram corrigidas

Mais um vez tenho que dizer que depende do volume de provas que tem para corrigir. Sigo com o mesmo exemplo do tópico anterior.

Exemplo: você tem 10 turmas e aplicou uma prova subjetiva com 10 questões em cada prova. São 100 questões para analisar passo a passo.

Depois de corrigir a primeira prova, você retira de cima e coloca no final do bloco de uma turma, mantendo as provas corrigidas e não corrigidas no mesmo bloco. E assim sucessivamente, sempre  enviando as corrigidas para o final do bloco de provas.

Quando corrigia assim, tinha uma sensação que as provas não acabavam nunca. 😅

Como fazer?

Depois de corrigir a primeira prova, você retira-a separando das outras que não foram corrigidas. E assim sucessivamente, sempre separando em dois ou mais blocos - as corrigidas e as não corrigidas. Dessa forma você sentirá o volume de provas diminuindo de acordo com as correções já realizadas.

Para bobagem, mas ajuda muito.

3) Corrigir provas em sala de aula com os alunos

A não ser que seja uma correção comentada passo a passo (onde o aluno é ativo), já que todos os alunos já sabem as suas notas. Essa correção serve apenas para mostrar como a prova foi elaborada, corrigida e pontuada sob diversos aspectos.

Corrigir, dar notas e entregar provas em sala de aula é um erro que o professor pode evitar facilmente. Por que é um erro? Corrigir provas em sala de aula não é atividade que faz parte da aula, até porque o que fará o aluno vendo o professor sentado corrigindo provas?

E ainda mais há o risco de conflito entre professor e aluno por discordâncias de notas e correção justa ou injusta causadas por momentos de desatenção.

Correção de provas é um momento de concentração intensa. Deve ser feito em ambiente fechado e sem conversas paralelas, afim de evitar erros simples de correção.

4) Não informar o erro do aluno

Para provas subjetivas é comum o professor dá o visto de errado e/ou certo em cada questão, pontuá-las e pronto. Se é pra avaliar nesse sentido, que mostre o erro do aluno. Dessa forma o estudante ficará ciente do seu erro e tentará não cometer novamente.

Apontar o erro do aluno, significa fazer uma breve anotação ou mesmo mostrar o cálculo correto naquele trecho de erro cometido pelo aluno na prova.

5) Sem pontuação matemática rigorosa

Para uma prova objetiva

Geralmente a pontuação é feita da seguinte forma:
  • 10 pontos divididos em 10 questões. Cada questão vale 1 ponto.
Ok.

Para uma prova subjetiva

E quando a prova é subjetiva? Como pontuar? Errou um sinal, errou tudo? Só vale se tiver a resposta completamente certa, do início ao fim do cálculo? Se acertar o cálculo todo, mas no final errou o sinal, vale a pontuação completa? Isso é comum.

Pausa para um exemplo. Um triste exemplo.

O viaduto que caiu em Belo Horizonte em 2014

O viaduto que caiu em Belo Horizonte em 2014
Foto: Lincon Zarbietti/O Tempo/Futura Press)
A queda de um viaduto em construção na Avenida Pedro I, em Belo Horizonte, matou pelo menos duas pessoas e deixou outras 22 feridas. Dois caminhões, um micro-ônibus e um carro foram esmagados pela estrutura.

O local do acidente fica a cerca de cinco quilômetros do estádio do Mineirão, que recebe na próxima terça-feira um dos jogos das semifinais da Copa do Mundo, e a dez quilômetros do Centro de Treinamento do Atlético-MG, onde a seleção argentina estava concentrada.

Por que desabou? Erro de projeto ou de cálculo estrutural?

Segundo o diretor do Instituto de Criminalística da Polícia Civil, Marco Paiva, a causa do desabamento foi um erro de cálculo do bloco de fundação de uma pilar. Ainda de acordo com ele, houve uma sucessão de erros de álgebra que levaram ao cálculo equivocado da quantidade de aço presente na estrutura e na dimensão desse mesmo bloco.



Houve uma sucessão de erros de cálculos, erros algébricos, porque quando você vai fazer o dimensionamento de um bloco, você leva em conta as cargas que atuam nesse bloco e todos os elementos, como a dimensão do bloco, enfim. Esses dados foram sendo introduzidos com erros e, a partir daí, foi gerando uma cadeia de erros nos cálculos, o que redundou, obviamente, no dimensionamento errado, tanto do aço do bloco, quanto nas suas dimensões físicas. Então, essa quantidade inferior de aço fez com que o bloco não suportasse os esforços atuantes sobre ele e viesse a romper, explicou Marco Paiva para o G1 Minas Gerais.

Um simples sinal errado, uma adição errada de apenas um algarismo, uma raiz quadrada ou potenciação equivocada, ou até mesmo um erro de interpretação matemática culmina em uma resposta errada e assim deve ser tratada.

Mas professor, fiz todos os cálculos corretamente e errei apenas o sinal da resposta final, por que você colocou zero na questão? Em vez de +7 eu coloquei -7. 😰 Reclama um aluno

A resposta é simples: $+7$ e $-7$ são dois números totalmente diferentes.

Módulo - Número inteiro.

Olha o que pode acontecer com o estudante de engenharia que se acostuma a receber respostas certas (ou metade da pontuação), quando na verdade estão erradas. A displicência é um erro humano e isso pode ser levado para a sua vida. As consequências podem ser desastrosas.

Portanto, ser rigoroso em correções é importante e não o transformará em um mostro insensível. Explique para os seus alunos a importância de desenvolver cálculos matemáticos corretos, do início ao fim.

+1) Não corrija provas nos finais de semana!

Não é erro! É apenas uma dica final. 😉

Faça qualquer coisa, menos corrigir provas. Geralmente, finais de semana uso para:
  • Ler livros;
  • Assistir filmes e séries no Netflix;
  • Receber amigos e familiares em casa;
  • Sair com amigos;
  • Escrever neste blog;
  • Network em redes sociais;
  • E muito mais.
E as provas professor? Corrigi quando? Todas as dicas para se livrar de corrigir provas nos finais de semana estão no artigo Como elaborar e digitar 7 provas (70 questões) em apenas 10 minutos?.

Que outros erros você poderia apontar para não cometermos erros na hora de corrigir provas?

Conteúdos:


Edigley Alexandre

Edigley Alexandre

Graduado em Matemática pelo DME na UERN em 2007, leciona Geometria, Matemática e Física. Blogueiro Part-Time desde 2007. Membro do Google+ Create em Português. Seu interesse é compartilhar conhecimento matemático interligado à Tecnologia da Informação e Comunicação, assim como artigos de opinião sobre Educação, Matemática e Educação Matemática.

Os comentários serão moderados pelo autor do blog. Respondo todas as segundas-feiras, terças-feiras e finais de semana.

É muito bom ler comentários, porém atente para algumas regras muito importantes antes de enviar a sua colaboração para este artigo.


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6 comentários:

  1. O exemplo do viaduto, apesar de triste, ilustrou bem a situação.

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    Respostas
    1. Olá, Henrique!

      Assisti essa triste notícia ao vivo na época e realmente foi impactante. Por outro lado mostrou como cálculos matemáticos podem trazer consequências ruins quando não é dado a devida importância e atenção redobrada.

      Um abraço!

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  2. Professor, bom dia! Acompanho muito seu blog, e estou entre os seus maiores fãs. Obrigado.
    A pergunta é: na sua opinião, qual a melhor forma de avaliar o aluno? A prova é a mais comum, mas, na sua criatividade que me encanta, poderemos criar uma nova forma de avaliar (sem considerar também a somatório de participação em sala, pontualidade, assiduidade....).
    Vejo que a prova é o escudo do professor. Na grande maioria das vezes, essas provas são a forma do professor exercer o poder sobre o aluno. E quando apenas vemos o resultado final, concordo nesse ponto com o senhor, que o e meio e o fim do resultado deve ser correto, mas, se a resposta não estiver exata, posso dizer que o objetivo do conteúdo não foi alcançado apenas porque ele não acerto exatamente a questão? Se ele souber fazer, entendeu o enunciado, interpretou, modelou.....não posso levar em conta que o objetivo, ou parte do objetivo foi alcançado?
    É uma dúvida cruel....kkkkk

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    Respostas
    1. Olá, Sidney! É sempre bom vê-lo por aqui. Tudo na paz?

      Você tem razão quanto a avaliar os outros fatores que o aluno desenvolveu ao longo das questões da prova. O problema é que essas provas só tem um objetivo: quantificar o aluno. Provas objetivas e subjetivas nem sempre qualificada um estudante.

      Imagina um bimestre inteiro de aula. 4 capítulos de conteúdos. Dezenas de assuntos e centenas de questões resolvidas em sala de aula, fora as tarefas de casa. Daí é escolhida algumas questões quase que aleatórias para colocar uma prova. Será que o aluno é realmente avaliado? Acredito que não. Ele é apenas avaliado quantitativamente.

      Ao meu ver provas não avaliam o aluno como um todo e no final sempre prevalece a nota. Nota boa passa e nota ruim reprova.

      E o que fazemos com o aluno não consegue fazer uma prova, mas que tem um raciocínio absurdo? Já tive aluno assim. E a sua prova era totalmente discursiva. Praticamente ele debatia sobre as questões e vez de apenas dar respostas numéricas.

      A melhor forma de avaliar o aluno é vê-lo como um todo e isso de acordo com o sistema de ensino atual é praticamente impossível. O aluno que tira um 5,0 tem muito mais a oferecer do que o aluno que só tira 10,0. O contrário também vale.

      A melhor forma de avaliar um aluno é durante todo o bimestre, em sala de aula, e isso exige do professor maior capacidade de gerenciamento de suas atividades, muito mais tempo, turmas reduzidas, apoio pedagógico e mais uma séria de fatores que hoje é deficiente.

      Leia os artigos sugeridos no início dessa postagem.

      Um abraço meu caro!

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    2. Edigley, meu caro guru, bom dia !!!
      Li os artigos sugeridos no início, e fiquei encantado.
      E depois de lê-los, fiquei foi com vergonha de ter feito pergunta tão boba, desperdiçando o seu tempo.
      Agradeço pela sua cordialidade em responder.
      Li a entrevista da Profª. Esp. Daniela Mendes, e fiquei muito interessado no LSM. Não o acompanhava ainda.
      Um grande abraço. E mais uma vez obrigado.

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    3. Sidney,

      Que isso cara! Não foi pergunta boba e não desperdicei meu tempo com você, que aliás, é sempre atencioso para com esse blog.

      Eu que agradeço por você estar aqui. Estou sempre a disposição.

      Um abraço!

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